As revistas querem mostrar que não estão mortas

No dia 1º de março, cinco dos publishers mais importantes do mundo, Charles Townsend, da Condé Nast, Cathie Black, da Hearst Magazines, Jack Griffin, da Meredith Corporation, Ann Moore, da Time Inc., e Jann Wenner, da Wenner Media, anunciaram um campanha publicitária para mostrar ao seu público –e ao mercado publicitário– que as revistas não morreram e que ainda são um excelente negócio para os anunciantes.

A iniciativa, batizada de Magazines: the power of print, foi lançada durante a conferência da Associação Americana de Agências de Publicidade, que aconteceu em San Francisco (EUA). A um custo de US$ 90 milhões, circulará durante sete meses em cerca de uma centena de revistas desses grupos e seus sites, além de publicações de terceiros. O vídeo acima é parte dessa campanha, estrelado pelos executivos das revistas.

O objetivo da campanha é claro: dizer que as revistas trazem o melhor custo-benefício publicitário. O “inimigo” também está bem definido: a Internet, praticamente materializada em torno do Google. E a mensagem gira em torno do fato de que uma nova tecnologia não mata a anterior. Ou seja, as revistas continuam existindo, apesar da Internet, contrariando os arautos do apocalipse.

Puxa vida, eles descobriram isso sozinhos ou precisaram ajuda? Ok, claro que a ideia é sensibilizar as agências de publicidade, mas o tom da campanha chega a ser revanchista, colocando as revistas em franca defensiva. Apresentam várias métricas (de entidades ligadas à mídia impressa) que indicam aumento do leitorado, mas, em nenhum momento citam que revistas e jornais perdem, ano após ano, fatia do bolo publicitário, enquanto a Internet aumenta a sua. Será que precisa de tudo isso? Além do mais, se a coisa está tão boa assim, por que tanta preocupação em mostrar ao mundo tamanha obviedade?

Todas essas publicações possuem a sua versão online. Mas o fato é que essas empresas têm sido, até agora, incapazes de conter o rombo no budget de suas revistas –a cash cow de todas elas– com os crescentes (porém ainda proporcionalmente minguados) ganhos com suas iniciativas digitais. E isso acontece especialmente porque elas insistem em migrar para uma nova realidade o mesmo modelo de negócio que funcionava tão bem para o papel.

Infelizmente não funciona. A Web desafia a todos a criarem modelos totalmente novos. Ao invés de combater o Google, deveriam aprender algo com ele. E isso significa parar de querer adaptar o que já fazer e pensar MESMO fora da caixa.

Há alguns dias, estava conversando em off com o diretor de uma editora de livros didáticos, e ele disse que esse grupo –que ainda está com um pouco mais de tempo que as editoras de revistas e jornais para cair de cabeça na Internet– precisa agora começar a se aventurar com seriedade em produtos verdadeiramente digitais. Inclusive porque ainda têm fôlego para cometer erros. Na sua análise, se começarem a tentar –e errar– apenas daqui a dez anos, poderão ser postos para fora do negócio, pois então ninguém mais precisará deles. Exatamente a situação em que a indústria fonográfica está hoje: quem precisa deles ainda?

Acho que esses US$ 90 milhões poderiam ser mais bem usados estudando modelos de negócio alternativos. Afinal, a Internet não vai matar as revistas, mas certamente fará com que elas mudem sua forma, em um sentido bastante amplo.

A (ainda existente) rivalidade entre jornalistas digitais e de papel

Já passou da hora dos jornalistas digitais e de papel se entenderem

A charge acima, parte do tema da redação da Unicamp 2010, retrata a tensão que existe entre jornalistas de mídias diferentes dentro de uma mesma redação. É incrível, mas ainda hoje, 16 de novembro de 2009, isso continua forte entre colegas, principalmente quando os “rivais” dividem o mesmo espaço. É o caso típico de muitas redações de jornais e de revistas

De um lado, os jornalistas digitais se sentem desprestigiados pela direção, que normalmente se refere a eles como “aquela turma da Internet”, com equipes exíguas e recursos limitados, já que a cash cow continua sendo a mídia impressa. Essa segunda turma, por outro lado, vê nos digitais quase uma ameaça, pois as empresas já perceberam que o futuro (bem próximo) inevitavelmente está na Web.

É a típica visão distorcida dos fatos. Mais que nunca, a convergência de mídias chegou ao trabalho do jornalista, que não pode mais se dar ao luxo de querer ficar só em uma mídia. Muito antes do boom do jornalismo digital, a BBC já praticava isso com seus profissionais: o jornalista saía para cobrir uma pauta sabendo que produziria material para rádio e também para TV. Agora ele também faz o mesmo para a Web. E ele sabe fazer isso (e a empresa o prepara e equipa para tal).

O fato é: jornalismo é jornalismo. O formato é apenas tecnicismo de cada mídia onde será publicado. Pode-se dizer que a turma da Web está mesmo um passo à frente, pois já desenvolve seu trabalho cotidiano com essa visão mais ampla do produto, por isso deve parar com a mania de “perseguição”. Já a turma do papel precisa aceitar que o mundo mudou, por mais que esperneie. Precisam sair da zona de conforto e abraçar a Internet, reciclando-se. Nem que seja para evitar uma demissão. Aliás, a Business Insider publicou, há 11 dias, cinco dicas para jornalistas sobreviverem a um corte de pessoal. Os itens 3, 4 e 5 estão vinculados ao mundo online. Dá para resistir?

Enquanto isso, unicidade nas equipes!

Quando o Twitter informa mais que o jornal

Para Chris Anderson, a chamada “mídia tradicional” perdeu o sentido de ser, o que não quer dizer que se preocupe menos com a qualidade do material informativo

Para Chris Anderson, a chamada “mídia tradicional” perdeu o sentido de ser, o que não quer dizer que se preocupe menos com a qualidade do material informativo

“Eu não uso a palavra jornalismo. eu não uso a palavra mídia. Não uso a palavra notícia. Não acho que essas palavras signifiquem alguma coisa hoje. Elas definem o mundo editorial do século 20. Hoje, são uma barreira. Elas estão bloqueando nosso caminho, como uma carruagem sem cavalos.”

Com essas palavras, Chris Anderson começa a responder as perguntas de Frank Horni, da Der Spiegel. Para o editor-chefe da Wired e autor do best-seller A Cauda Longa, jornais, revistas, televisão, a chamada “mídia tradicional” perderam o sentido de ser. Ele diz não consumir mais jornais e só lê uma reportagem do The New York Times se ela chegar até ele pelo Twitter, por exemplo, depois de passar por um “filtro pessoal” de pessoas em quem confia. O que não quer dizer que se preocupe menos com a qualidade do material informativo: apenas isso agora pode ser produzido e distribuído por qualquer um. “O problema não é que a forma tradicional de escrever não vale mais. O problema é que isso hoje é a minoria. Costumava ser um monopólio.”

Anderson é um conhecido provocador profissional, mas há verdade no que ele diz. A Internet virou de pernas para o ar o modelo de negócios de várias indústrias, como a fonográfica. A bola (de neve) da vez é justamente a mídia, cuja vítima mais evidente é a impressa. A possibilidade de qualquer um produzir e distribuir material jornalístico de qualidade afetou não apenas a economia dos grupos de mídia, mas está redefinindo a maneira de se produzir jornalismo, que, cada vez mais, é analítico e instantâneo, gerado com os recursos disponíveis por quem estiver juntos dos fatos.

O que falta ainda ao jornalismo-cidadão é organização editorial. Por mais que o volume gigantesco de produção possa resultar em qualidade no final, por mais que a relevância concedida pela audiência a cada peça jornalística seja capaz de definir o que deve ser a manchete (e o Google News está aí para mostrar que isso funciona), cada blogueiro escreve sobre o que quer, o que gosta e o que pode. Falta o “norte” a ser perseguido, nem sempre visível para o cidadão comum. E falta recursos para produzir reportagens caras. Por isso, ao contrário do que Anderson provoca e do que Lula sugeriu há pouco mais de um mês no 10º Fórum de Software Livre, o papel e a importância de uma indústria de mídia organizada continuam firmes e fundamentais para a sociedade.

A verdade nas afirmações do jornalista é que o formato, a distribuição e o modelo de negócios precisam ser reinventados. Ninguém ousaria dizer que a música perdeu a sua importância, mas nunca se venderam tão poucos álbuns quanto hoje. Isso é algo que não parará de diminuir até que as pessoas deixem de vez de comprar CDs, para desespero da indústria fonográfica, que não conseguiu ainda encontrar um modelo realmente substituto os disquinhos prateados. Por outro lado, cantores e bandas, igualmente afetados por essa onda, foram mais rápidos e já perceberam que seus ganhos hoje devem vir mais de shows que de CDs. Nesse cenário, a Internet deixa de ser uma inimiga e passa a ser divulgadora de seus trabalhos.

O que sobra aos jornalistas? Acredito que revistas e jornais, no atual formato, sejam os seus “CDs”. Assim como as empresas, os profissionais também precisam redefinir o seu modelo de negócios. Não quer dizer que o jornalismo tenha que ser um emprego de meio-período ou um hobby, como sugere Anderson (até pode ser), mas é improvável que ele continue como é hoje. Hora de os coleguinhas botarem os miolos para funcionar, caso não queiram se tornar obsoletos pela “cauda longa informativa”.

A Petrobras garante o furo, apesar de seu blog

Para Gabrielli, a população tem o direito de conhecer amplamente as informações trocadas entre a empresa os veículos

Para Gabrielli, a população tem o direito de conhecer amplamente as informações trocadas entre a empresa os veículos

As perguntas feitas por um jornalista a uma fonte são de sua propriedade? E as respostas a elas também são? Essas perguntas capciosas ganharam as manchetes na semana passada quando a Petrobras decidiu divulgar as perguntas de jornalistas enviadas à assessoria de imprensa da companhia, com as respectivas respostas. A prática está sendo feita no blog institucional Fatos e Dados, no ar desde o dia 2 de junho e criado para divulgar informações relativas à CPI criada para apurar irregularidades da empresa.

Os veículos de comunicação botaram a boca no trombone e ganharam apoios importantes, como da ANJ (Associação Nacional de Jornais) e da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). Mas, ao contrário do que se poderia pensar, a iniciativa da empresa não é uma unanimidade entre jornalistas: Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim, além da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), apoiam o blog. A Petrobras se defende, dizendo que as informações que divulga não pertencem ao veículo. “A nossa visão é que isso significaria uma privatização da informação na relação entre a Petrobras e esse veículo”, disse o próprio presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrieli, “Estaríamos dando ao veículo o poder e a decisão de divulgar ou não divulgar”, explicou em entrevista ao Jornal da Globo.

Voltando às duas perguntas que fiz no começo do post, os dois lados têm pontos válidos a defender. Quanto às perguntas, sim, elas pertencem aos jornalistas. Especialmente no caso de reportagens investigativas, as perguntas já são resultado de muito trabalho do profissional. Muitas vezes, só puderam ser elaboradas depois de várias entrevistas exclusivas e, portanto, carregam no seu bojo muito trabalho intelectual. Divulgá-las antecipadamente seria, portanto, um desrespeito a esse trabalho do jornalista, pois transformaria sua apuração em aviso de pauta para a concorrência. As respostas, por outro lado, pertencem à empresa, como sugere a Petrobras, que pode fazer o que quiser com essa informação.

Diante da gritaria, o blog passou a publicar as perguntas e as respostas apenas depois de a matéria ser publicada no veículo. Mas isso não foi suficiente para diminuir a ira da mídia. E aí, nesse momento, os coleguinhas perdem a razão. Ao criar esse “embargo às avessas”, onde a fonte espera o veículo publicar a reportagem para então divulgar seus dados, a Petrobras garante o “direito de furo” aos jornalistas. Mas aparentemente eles querem garantir o direito de escolher o que querem publicar, varrendo para baixo do tapete as informações que não lhes interessa. Essa prática nefasta, muito comum nas revistas semanais do país, é cada vez mais comum em todos os veículos, mais e mais recheados de jornalistas novatos, inocentes e manipuláveis, tanto pelas fontes quanto por seus diretores.

Todo profissional sabe –ou deveria saber– que o jornalismo é composto de várias versões do mesmo fato. Seu trabalho é apresentar ao público o máximo delas que puder, para que o consumidor construa a verdade dos fatos. Por isso, o argumento ridículo que os jornais vêm usando de que o blog da Petrobras serviria para intimidar a imprensa no seu trabalho de informar amplamente a população não se sustenta. Na verdade, sugiro que todas as empresas mantenham instrumentos semelhantes, para que exponham a sua versão dos fatos sem edição, evitando armadilhas de editores inescrupulosos. Obviamente não estou generalizando: a maioria dos jornalistas faz um trabalho decente, mas os veículos não podem esquecer que eles não são donos da notícia.

Para Bezos, Kindle pode salvar jornais em um mundo com menos papel

Bezos sugere que os jornais "migrem" para seu Kindle a preços mais baixos

Bezos sugere que os jornais "migrem" para seu Kindle a preços mais baixos

Jeff Bezos é um sujeito singular. Ele ficou milionário apostando no comércio eletrônico já em 1994, quando o termo ainda nem havia sido criado. Graças a sua visão de futuro, transformou a Amazon não apenas na maior livraria do mundo (sua origem), mas também na maior vendedora de música e na maior loja de departamentos. Agora ele quer repetir a dose com seu e-reader, o Kindle. Ele espera se firmar como líder no nascente (e cada vez mais explosivo) mercado de livros digitais. Mas também começa a oferecer uma possível saída para a combalida indústria de mídia.

No dia 6 de maio, deu uma nova cartada nessa direção, anunciando o Kindle DX, terceira versão do produto, que vem a público apenas dois meses depois do lançamento do Kindle 2, que continuará sendo vendido. A novidade traz recursos muito interessantes, como a possibilidade de conexão por redes WiFi (e não mais apenas por conexões de celular 3G), o dobro de memória (4 GB, suficientes para guardar, de uma só vez, uma média de 3.500 livros) e a possibilidade de se ler os textos na vertical ou na horizontal, simplesmente rotacionando o equipamento, como acontece com o iPhone. Mas o que chama mais a atenção é a sua tela de 9,7 polegadas, o dobro da do Kindle 2 e quase o tamanho de uma folha de revista. Ok, custa mais caro: US$ 489 contra US$ 359 do Kindle 2.

De todos os recursos do Kindle DX, o que mais chama a atenção é o tamanho da sua tela

De todos os recursos do Kindle DX, o que mais chama a atenção é o tamanho da sua tela

A telona é muito bem-vinda para ler as versões de revistas e jornais para o e-reader. Já estão disponíveis assim as edições diárias de 37 jornais e 28 revistas de seis países, incluindo o The New York Times, a Time e a Newsweek. Mas o que mais chama a atenção é que essas assinaturas digitais podem custar até metade da assinatura do mesmo conteúdo impresso!

Isso faz todo o sentido, já que se elimina o gigantesco custo da impressão. Neste blog mesmo, já havia comentado o interessante exercício feito por Nicholas Carlson, do The Business Insider, que calculou (grosseiramente) que um Kindle 2 custaria metade que o necessário em papel para se imprimir um ano do The New York Times para cada um de seus assinantes. O mesmo jornal anunciou que, até junho, oferecerá assinaturas a preços reduzidos para as cidades onde não há distribuição da versão impressa.

Não sei se Bezos conseguirá repetir seu sucesso com o Kindle, apesar de o produto estar sendo bem recebido. A concorrência está se mexendo (o principal rival é o Reader, da Sony), mas há rumores de que a Apple está preparando o seu produto e que a News Corp, de Rupert Murdoch também entraria nesse mercado. Mas a idéia de os jornais terem, como alternativa, “migrarem” para essa nova plataforma é sem dúvida nenhuma interessante.

Deitados em berço esplêndido

Enquanto nos EUA vemos os próprios jornalistas arregaçando as mangas e queimando os miolos para salvar os veículos onde trabalham ou pelo menos os seus próprios empregos, no Brasil, as coisas aparentam conforto. Isso estará associado à “marolinha”?

Não há dúvida que a situação da mídia, especialmente a impressa, está muito mais confortável aqui que nos EUA, que atravessa a maior crise da sua história. Segundo o Projeto Inter-Meios, do Meio & Mensagem, em outubro de 2008, os jornais abocanharam R$ 304,6 milhões em publicidade, que representam 4% de aumento em relação do outubro de 2007. As revistas levaram R$ 204,5 milhões no mesmo mês, alta de 9% sobre o ano anterior.

Apesar dos números para cima, os investimentos estão congelados e o facão já passou em várias Redações nesse ano. Revistas e jornais estão mais finos e com conteúdo editorial pior, em parte pelo sacrifício de pratas da casa em favor da contratação de focas, mais baratos.

Então por que ninguém se mexe? Será que necessitamos chegar à beira do abismo, a exemplo da Gringolândia, para colocarmos a massa cinzenta para funcionar?

Receio que o problema seja outro: falta coragem para se mexer em time que está “ganhando”. A mídia impressa continua sendo uma máquina bem azeitada, com faturamentos respeitáveis, que mantém vivas suas casas editoriais. Para seus diretores, que receberão seus gordos bônus mantendo o status quo, não importa que suas equipes de conteúdo digital continuem sendo apenas “a turma da Internet”. Mas o que me dá mais medo é que os colegas que estão na linha de frente da Redação pensem o mesmo e façam de tudo para que nada mude. Naturalmente, eles também não são avaliados pela performance do produto online.

É uma pena muito grande. Como falei no post anterior, 35 ex-jornalistas do agora defunto Rocky Mountain News estão tentando criar um veículo totalmente online para ocupar o lugar do finado periódico. Mas estão tentando fazer isso agora, ao invés de ter arriscado quando o Rocky ainda rodava. Quem é o culpado pelo imobilismo anterior?

Citando novamente o Inter-Meios, a única mídia que teve um crescimento expressivo no ano passado foi a Internet, cujo faturamento de outubro de 2008 foi 45,5% superior ao de outubro de 2007. Lamentavelmente, ela representa ainda apenas 3,5% do bolo publicitário, mas isso poderia ser certamente muito maior, se houvesse mais atitude dos envolvidos.

O botão milagroso

Clique no botão, assine a revista e salve-a de um destino pior que a morte

Clique no botão, assine a revista e salve-a de um destino pior que a morte

As muitas revistas de uma grande editora onde já trabalhei vêm sofrendo há bastante tempo o mesmo que se observa por aí no mercado: redução nas tiragens, queda na receita publicitária e com assinaturas e diminuição das vendas em bancas. Desde que surgiu, a Internet é apontada internamente como grande vilã desse cenário, o que aliás impede que a empresa invista com seriedade nessa “nova mídia”, temendo que seus próprios sites “canibalizem” (esse é o termo usado) as revistas, roubando-lhes leitores.

Nesse cenário de muita preocupação dos executivos da casa, vira e mexe eles surgem com uma ideia brilhante. Nos últimos dias, foi decretado que os sites de cada publicação deveriam dar destaque ao “botão assine”, aquele que convida o internauta a assinar a revista em papel. E aí vale tudo: jogar o botão para o alto, pintar o bichinho de vermelho e fazê-lo piscar, transformá-lo em uma animação espalhafatosa. Se poluir ainda mais o já complicado layout, azar.

É a típica visão distorcida dos fatos. Não que os sites não devam “ajudar” suas irmãs em couché, mas o buraco é mais embaixo. Conversando com uma gerente de assinaturas da mesma editora, ela confidenciou que, apesar dessa histeria das Redações diante da “ameaça digital”, que já dura anos, até hoje a Web não provocou diferenças significativas nas vendas de assinaturas e em bancas. Sim, é isso mesmo que você leu! Quem está maculando esses números, segundo ela, são o aumento do preço de capa e a redução dos descontos nas assinaturas.

Na verdade, ela tem uma visão parcial da coisa. Esses ex-consumidores de revistas continuam consumindo informação, mas em outro lugar. E esse lugar é justamente a Web. Eles deixam de investir em papel para consumir o mesmo material jornalístico (ou ainda melhor) em outra mídia, que oferece isso de maneira mais cômoda e mais barata, até de graça.

Daí vem o povo com a história do botão milagroso… Como dizia um velho amigo, “o pior cego é o que não quer ouvir”. Quantos títulos deverão ser fechados antes de pararem de enxergar seus sites como meros complementos das revistas e canais de venda de polpa de madeira impressa?

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