Cadê o Macaco que estava aqui?

Nós mudamos

Seus clientes estão lhe gritando o que fazer, mas você está ouvindo?


Meus amigos, esta versão de O Macaco Elétrico está sendo desativada.
A partir do dia 17 de março de 2017, ela não receberá mais atualizações.
Por favor, atualizem seus Favoritos para o novo endereço:
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Imagem: Pixel Pro Photography South Africa / Creative Commons

 

Nesses tempos de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, a concorrência está sempre em nosso encalço, e mesmo as ideias mais inovadoras parecem já estar sendo feitas para um monte de gente quando chegam ao mercado. Sobrevive quem encontra o caminho meio escondido para se destacar de maneira consistente no mar de mesmice. Isso lhe parece familiar?

Apesar de poucos terem sucesso nessa empreitada, todos nós temos excelentes consultores que nos ajudam nessa tarefa, e eles estão cada vez mais poderosos: nossos clientes. Infelizmente poucos são capazes de tirar proveito de suas dicas, porque não sabem, não conseguem ou simplesmente não querem fazer isso. E, por “ouvir o cliente”, não me refiro a se submeter àquela baboseira fundamentalista de “o cliente sempre tem razão” ou “o cliente é o rei”.


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Claro que o cliente deve ser bem tratado, mas isso não quer dizer que tudo o que ele pede deve ser lei, inclusive porque –infelizmente– muitos abusam dessa prerrogativa para todo tipo de exagero. Ao invés disso, devemos lhe oferecer um serviço cada vez mais personalizado e de alto valor agregado.

A boa notícia é que, graças à tecnologia digital onipresente, está cada vez mais fácil fazer essa entrega, fugindo dos eventuais abusos. Os clientes estão o tempo todo gritando o que devemos fazer, graças à enxurrada de informações que nos oferecem, que podem ser usadas para melhorar o nosso contato com eles, e lhes oferecer os produtos acima. O resultado são empresas faturando mais e clientes mais felizes e mais bem atendidos.

No final, é tudo relacionamento.

 

Use a tecnologia, mas seja humano

A ironia -e a beleza- disso tudo é que, apesar de devermos usar cada vez mais a tecnologia digital –Google, Facebook, aplicativos, entre tantos outros– para obtermos informações dos nossos clientes e estreitarmos nossos laços com eles, isso não quer dizer que podemos nos dar ao luxo de ser frios e impessoais. Na verdade, é exatamente o contrário: temos que tratar pessoas como pessoas, e não como números.

Apesar da aparente contradição, isso acontece porque as informações que os clientes nos fornecem permitem que os conheçamos mais que suas próprias mães! Conseguimos saber do que gostam, o que consomem, como, onde e de que forma compram, como se divertem e se informam, com quem se relacionam. Consegue-se saber onde os usuários estão, como no serviço Location History do Google Maps. Pode-se até traçar o perfil psicológico de alguém usando apenas as suas “curtidas” no Facebook, como no serviço Apply Magic Sauce,do Psychometrics Centre da Universidade de Cambridge (Reino Unido).

Nessas horas, muita gente fica de cabelo em pé, pensando nos riscos à privacidade do indivíduo. Sim, é claro que esse risco existe., e isso esbarra em limites éticos seríssimos. Se as empresas têm acesso a tanta informação do usuário, poderiam adotar práticas bastante questionáveis.

Felizmente não é necessário ultrapassar nenhum limite legal ou moral para criar um relacionamento personalizado e próximo com cada consumidor. Primeiramente porque as pessoas compartilham conscientemente (ou quase isso) grande quantidade de informação pessoal na esperança de receber serviços em troca. Depois, graças ao “machine learning”, a capacidade de os sistemas aprenderem a conhecer melhor cada pessoa de maneira automatizada, pode-se criar e enviar ofertas incríveis e personalizadas sem comprometer a privacidade de ninguém.

Que tipo de ofertas incríveis e personalizadas podemos pensar? Inúmeras!

 

Falando sem abrir a boca

O cliente está indo à praia e seu protetor solar acabou? Envie uma boa oferta a seu celular no dia anterior da viagem, com um botão para compra imediata e entrega no mesmo dia. E, se tiver filhos, inclua também o produto infantil!

Outro exemplo: o casal vai ter um bebê? É menino ou menina? É o primeiro filho? Ajude os pais a montar o enxoval e, se necessário, comprar os móveis do quarto da criança e adaptar a casa para o futuro morador. E, quando estiver chegando o chá de bebê, participe desse momento tão importante fornecendo informações e tudo mais que for necessário.

São apenas dois exemplos simples de uma infinidade de casos associados a literalmente todo tipo de negócio. Entretanto o mais interessante disso tudo é que o cliente não precisaria ter contado isso a nenhuma empresa: as informações poderiam ter sido obtidas de diferentes bancos de dados e postagens públicas espalhadas pela Internet. É apenas uma questão de saber captar e processar todos esses dados.

Ou seja, o cliente pode lhe dizer muitíssimo sem dirigir a você uma mísera palavra. E onde isso pode chegar?

Sabe aquela sensação boa de ser atendido pelo dono da lojinha do bairro, que conhece cada um de seus clientes tão bem, que sempre acerta no que lhes oferece? Com a tecnologia digital, isso pode ser feito para milhares, milhões de consumidores: os sistemas podem indicar a cada um deles algo que realmente lhes seja relevante, no momento que eles precisam, no canal que lhe seja mais conveniente. Busca-se a situação ideal de ter o produto certo, para o cliente certo, no momento certo e no canal certo, o sonho do CRM!

Assim, não podemos ter milhares de vendedores, mas pessoas de verdade podem ensinar a máquina a tratar os clientes com empatia. Chegamos à época dos sistemas capazes de simular o dono da lojinha do bairro, com sua sabedoria e simpatia.

Se fizerem isso direito, podem até despertar emoções genuínas e positivas em pessoas de verdade.

 

Segurando o pulso do cliente

Isso não é ficção científica, nem conversinha mole de guru. Está acontecendo aqui, agora, possivelmente sendo usado pelo seu concorrente.

O excesso de oferta e essa mesma tecnologia criaram pessoas que querem tudo com melhor qualidade, mais barato, mais rapidamente e da maneira mais conveniente para as suas necessidades individuais. Mais que isso, os clientes estão menos tolerantes a falhas, e menos suscetíveis a ofertas que não se encaixem no seu perfil.

E eles fazem isso simplesmente porque podem! Então, se os clientes mudaram dramaticamente, por que as empresas, seus produtos e seu marketing continuariam os mesmos?

E-mail marketing, segmentação e clusterização de clientes, remarketing e outras bossas são ferramentas úteis e que trazer bons resultados. E pareciam tão modernas… até ontem!

A digitalização da nossa sociedade está abrindo enormes portas para que cada interação entre pessoas e pessoas, pessoas e empresas, pessoas e ideias seja valorizada e gere uma informação útil, pronta para ser usada. Hoje fazer as “perguntas certas” pode oferecer, a qualquer um, ideias para conquistar mentes e principalmente corações. Para empresas, isso significa criar ofertas mais assertivas e deixar a concorrência comendo poeira.

Não se trata de substituir pessoas por máquinas: as primeiras continuam comandando o processo. Mas os sistemas lhes permitem ganhar escala e dar a milhares de pessoas a mesma atenção que seriam capazes de dispensar a apenas algumas dezenas.

É um incrível momento em que marcas podem se conectar emocionalmente a pessoas, mantendo contato com elas desde que acordam até quando forem dormir. E isso de uma maneira leve, agradável, ética e útil para todos os envolvidos.

Que tal começar a ouvir os seus clientes agora mesmo?


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Você está sendo manipulado… e pode estar achando isso engraçado!

Foto: Visual Hunt/Creative Commons

Desde o ano passado, os meios digitais estão sob fogo cruzado, acusados de disseminar uma avalanche de mentiras. A “desinformação”, como tem sido chamado esse fenômeno de plantar e promover notícias falsas, não é nova e nem nasceu no meio digital, mas as redes sociais transformaram essa malandragem em um negócio gigantesco, que movimenta milhões de dólares e pode ter consequências desastrosas. Graças à criatividade de quem planta esses boatos, tais “notícias” parecem tão críveis quanto as verdadeiras. Pior: por conta dos algoritmos das redes sociais, acreditamos piamente na bobageira e até gostamos dela, ajudando na sua pulverização.

Pronto: está criado um eficiente e perigosíssimo mecanismo de manipulação social, e somos engrenagens fundamentais dele. A questão é: como escapar dessa máquina de moer mentes?


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O auge da gritaria foi a suspeita de que o Facebook tenha auxiliado –por omissão– Donald Trump a se tornar presidente dos EUA. A rede de Mark Zuckerberg teria sido fundamental para a vitória do bilionário republicano  por ter disseminado material falso que o enaltecia, assim como conteúdos igualmente mentirosos que prejudicariam sua concorrente, a democrata Hillary Clinton (e o inverso também aconteceu, diga-se de passagem).

Digo “por omissão” porque o Facebook teria feito muito pouco (ou nada) para evitar que as linhas do tempo de seus usuários fossem inundadas com conteúdo falso que poderia influenciar suas decisões, abrindo espaço para os boateiros deitar e rolar para atingir seus objetivos. O próprio Zuckerberg disse, logo após a vitória de Trump, que “a ideia de que notícias falsas no Facebook influenciaram a eleição é maluca”.

Mas ele e a empresa tiveram que se retratar diante dos fatos. O site BuzzFeed publicou um levantamento, feito a partir de dados públicos do próprio Facebook, que demonstrou como, na reta final da campanha, notícias falsas relativas à eleição americana geraram mais curtidas, comentários e compartilhamentos dos usuários da rede que as notícias verdadeiras!

E, se você acha que isso acontece apenas nos EUA, está muito enganado. A operação brasileira do BuzzFeed usou a mesma metodologia para chegar à conclusão que de notícias falsas sobre a operação Lava-Jato geram mais engajamento que as verdadeiras. E atualmente, na França, o candidato favorito à presidência, Emmanuel Macron, gasta seu tempo se defendendo de boatos plantados na Internet. Nesse caso, há até a suspeita de envolvimento de hackers russos, que estariam favorecendo a líder da extrema-direita Marine Le Pen, que costuma elogiar o presidente russo, Vladimir Putin.

Nada disso é coincidência. E nem deveria ser surpresa.

 

Controlando mentes

É verdade que o Facebook não é um veículo de comunicação. Como tal, em tese, poderia dizer que não é obrigado a verificar o que seus usuários publicam na rede. Pode argumentar até que checar a veracidade disso é tecnicamente muito difícil, além de que poderia estar flertando com a censura, se começasse a fazer restrições ao que fosse publicado nele.

Todos são pontos válidos e, de certa forma, já foram usados. Mas um sistema que desempenha papel central na vida de 1,9 bilhão de pessoas em todo mundo não pode simplesmente “lavar as mãos” diante de suas responsabilidades como gigantesco formador de opinião sobre potencialmente qualquer assunto. Tudo por causa do algoritmo de relevância, que seleciona o que cada um de nós recebe em nossas linhas do tempo, com base no que vimos e interagimos, nos nossos amigos, no que eles fazem, e mais uma infinidade de variáveis, em uma caixa-preta que só a empresa consegue abrir.

Acha exagero? Pois um pesquisador do próprio Facebook já demonstrou cientificamente a influência do algoritmo de relevância no que as pessoas pensam. Adam Kramer realizou em 2012, uma pesquisa que demonstrou ser possível “transferir estados emocionais” a pessoas apenas manipulando o que veem online. No experimento, os feeds de notícias de 689.003 usuários (1 a cada 2.500 na época) foram manipulados pelo sistema por uma semana. Metade deles ficou sem receber posts negativos; a outra metade não viu nada positivo. Análises automatizadas confirmaram que usuários expostos a posts neutros ou positivos tendiam a fazer posts mais positivos, enquanto os expostos a posts neutros ou negativos tendiam a fazer posts mais negativos!

Em outras palavras, Kramer atuou decisivamente no humor de quase 700 mil pessoas apenas manipulando seus feeds de notícias. O paper foi publicado na prestigiosa “Proceedings of the National Academy of Sciences of USA”. Vale lembrar que o mesmo Kramer, em outra ocasião, já tinha aumentado o comparecimento dos americanos às urnas, também manipulando seus feeds. Isso em um país em que não é obrigatório votar.

Como fica a empresa diante disso?

 

Mea-culpa e plano de ação

Diante do óbvio, a turma de Mark Zuckerberg decidiu mostrar serviço. E não está sozinha. Facebook e Google resolveram se mexer e criar mecanismos para tentar combater as notícias falsas, como não entregar anúncios de seus sistemas comerciais a sites conhecidos por promover a desinformação. O Facebook também lançou, logo após a eleição de Trump, sete medidas para minimizar as notícias falsas em sua rede, e, mais recentemente, um projeto para trabalhar com veículos de comunicação para melhorar a qualidade do que trafega pela rede. No Brasil, acadêmicos, jornalistas e empresas de mídia também criaram um grupo para tratar do problema.

Todas essas iniciativas são muito bem-vindas, porém antevejo um eterno jogo de gato e rato. Veículos e plataformas trabalharão de um lado para combater a desinformação, enquanto os boateiros encontrarão maneiras novas e ainda mais criativas de enganar as pessoas com seu material “fake”. Algo muito parecido com o que vemos há uns 30 anos entre fabricantes de antivírus para computadores e os desenvolvedores dessas pragas digitais.

E quanto a nós? Podemos fazer alguma coisa para ajudar?

Claro que sim!

 

Não alimente os trols

Sabe aquela turma que compartilha posts no Facebook sem sequer ler o texto? Aquele pessoal que reage impulsiva e emocionalmente diante de uma foto ou de um título? Esses são o principal alvo dos boateiros, pois espalham tudo que combina com o que acreditam, sem se preocupar se é verdade ou não.

O problema é que os algoritmos de relevância garantem que sejamos impactados por aquilo que gostamos, concordamos, acreditamos, mesmo coisas que reforcem nossos piores preconceitos. E aí baixamos nossas defesas e entramos no jogo alegremente.

Isso já tem até nome: “pós-verdade”, termo escolhido como “palavra do ano” pela Universidade de Oxford, que a descreve como algo “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”.

Portanto, a regra número um para combater a desinformação é bastante simples: desconfie sempre! Além disso, algumas atitudes podem ajudar a verificar a confiabilidade de um conteúdo antes de o espalhar para seus amigos.

A primeira coisa é verificar a fonte da notícia. É verdade que ultimamente veículos tradicionais já não são mais uma garantia de seriedade e precisão no seu noticiário, mas eles ainda carregam alguma reputação que os coloca em um patamar superior ao de sites completamente desconhecidos, pelo menos a princípio. Verifique também se o site é mesmo legítimo, ou uma cópia safada de um veículo famoso.

Sites desconhecidos não são necessariamente ruins. Se estiver em dúvida, procure saber mais sobre sua reputação, por exemplo pesquisando no Google seu nome junto com a palavra “falso”.

Desconfie de sites com uma quantidade absurda de publicidade: eles podem criar notícias apelativas apenas para ganhar mais dinheiro. Da mesma forma, publicações com títulos com tudo escrito em LETRAS MAIÚSCULAS ou fotos exageradas normalmente estão associadas a material criado para pegar trouxas.

Nunca é demais dizer: confie sempre nos seus instintos. Se uma notícia provoca emoções muito intensas em você, sejam boas ou ruins, redobre os cuidados. Verifique se ela também aparece em outros veículos, especialmente aqueles com mais credibilidade. Veja também se traz links ou referências externas que ajudem a corroborar o que diz, além de citações de pessoas bem identificadas (nada de “um pesquisador de uma universidade americana de renome”).

E, por fim, um pedido óbvio: leiam a notícia antes de qualquer tipo de interação! Nunca, jamais se contentem com o post no Facebook! E, mesmo depois de clicar no link, leiam além do título e do primeiro parágrafo. Esse exercício pode ser muito “esclarecedor”.

Se o Facebook tem a sua parcela de culpa na eleição do Trump e eventuais outras mazelas da humanidade, nós, usuários, também temos. Não podemos mudar todo mundo, mas podemos, pelo menos fazer a nossa parte e mudar nós mesmos, criando um uso mais consciente, crítico e construtivo da rede. E, quem sabe, ajudar quem estiver no nosso círculo de amigos e contatos. O mundo agradecerá quem fizer isso.

E nós seremos menos manipulados.


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Como cheguei a 100 mil seguidores e o que ganho com isso

Obra “Operários”, pintada por Tarsila do Amaral em 1933: escrever no LinkedIn permite alcançar pessoas de todos os grupos sociais, idades, profissões e regiões do pais - Imagem: reprodução

Obra “Operários”, pintada por Tarsila do Amaral em 1933: escrever no LinkedIn permite alcançar pessoas de todos os grupos sociais, idades, profissões e regiões do pais

Hoje atingi a marca de 100 mil seguidores no LinkedIn. É um número que me surpreende, especialmente porque, quando comecei a publicar meus artigos nele há apenas 14 meses, eu não tinha nenhum seguidor, sequer sabia que isso existia. Agora, quando comento esse número com alguém, o espanto costuma vir acompanhado de duas perguntas: “como consegui isso” e “o que eu ganho com isso”.

As duas são muito legítimas, e suas respostas podem ser úteis a qualquer profissional ou empresa. Por isso, quero compartilhá-las aqui.

Primeiramente é importante que fique claro que não existe sorte nesta história: é resultado de muito trabalho e sensibilidade. Conseguir mil seguidores já é um feito, pois significa que mil pessoas acham o que você produz tão relevante que deliberadamente pedem ao sistema para serem avisadas quando você publicar algo novo. E isso é muita gente!

Logo, o primeiro passo para conseguir seguidores é criar algo em que as pessoas veem valor. Ninguém o seguirá apenas pelos seus lindos olhos. Mas nem mesmo o melhor conteúdo do mundo é suficiente para o sucesso.

As pessoas precisam saber que ele existe! As próprias redes sociais são poderosas ferramentas para se conseguir isso, mas não se restrinja a compartilhar sua produção com seus amigos: participe ativa e construtivamente de grupos, conheça formadores de opinião, converse com pessoas, amplie e qualifique a sua rede.

Mas isso ainda não é suficiente…

 

Seja humano

No meu caso, os artigos do LinkedIn foram promovidos apenas no próprio LinkedIn, sem nenhum investimento financeiro. Mas houve um belo investimento de tempo, persistência, resiliência e empatia verdadeira com as pessoas. E posso dizer que esse foi o grande diferencial que me levou a ter quase 700 novos seguidores por dia.

Tem muita, muita gente distribuindo gratuitamente conteúdo de altíssima qualidade nos meios digitais. Portanto, apesar de isso ser essencial nessa jornada, está longe de ser suficiente. Por outro lado, pouquíssima gente está disposta a ouvir o que seu público tem a dizer (e, às vezes, as críticas podem ser bastante duras). E uma parcela ainda menor topa investir o seu tempo para ouvir e genuinamente tentar ajudar desconhecidos.

Isso é um resquício do jeito velho de fazer marketing, em que as empresas diziam o que queriam e as pessoas que tratassem de engolir as mensagens e os produtos. A única medida de sucesso era o produto vender bem. Não havia o menor interesse em criar um vínculo com o público e sequer com o cliente que fosse além do comercial.

Mas, como diz o próprio nome, as redes sociais funcionam de outra forma, e as pessoas já assumiram isso: é um local de compartilhamento, de socialização. Portanto, quem acha que ficar enchendo seu perfil com posts promovendo produtos e serviços é garantia de sucesso pode ter um desagradável surpresa: o público não é mais obrigado a engolir nada de ninguém.

Vivemos na era do compartilhamento. Somos humanos e como tal devemos ser tratados. Perguntem ao Catraca Livre

 

E o que ganho com isso?

Não seria nada mal se o LinkedIn me pagasse por cada visitação gerada pelos meus artigos publicados nele. Mas sua proposta não é essa, e as páginas dos artigos sequer têm banners ou outra forma de monetização direta.

Mas há um ganho que pouca gente percebe a existência, e que pode ser muito maior que qualquer remuneração direta pelo conteúdo: sua reputação! E isso é algo que se aplica não apenas a profissionais, mas também a empresas. Aliás, se as empresas de comunicação tradicionais prestassem atenção a isso, talvez não estivessem no poço tão profundo quanto o que estão.

Vivemos em uma época em que parece existir uma oferta excessiva de tudo. Isso traz dois resultados perversos para pessoas e companhias: dificuldade de ser encontrado pelos seus clientes e uma sensível queda no valor do que oferecem. E isso fica ainda mais dramático em um cenário de crise extrema, como a que o Brasil vem passando nos últimos anos.

Nessas horas, têm os melhores ganhos aqueles que conseguem se diferenciar do mar de ofertas e concorrentes. E, para isso, ter uma boa reputação é um grande trunfo. Afinal, as pessoas sempre avaliam todas as ofertas disponíveis antes de comprar um produto ou contratar um serviço. Se você é não apenas conhecido, como também reconhecido como uma autoridade no que faz, a chance de você ser o escolhido cresce enormemente.

Uma excelente maneira de se construir uma boa reputação é justamente demonstrando seu conhecimento técnico, capacidade argumentativa e uma visão privilegiada dos fatos, especialmente para uma plateia de alto nível e de potenciais clientes e parceiros. O LinkedIn oferece justamente um incrível palco para esse tipo de exposição.

Como podem ver, um belíssimo ganho.

 

Liberte a sua voz!

Muita gente acaba não seguindo esse caminho porque acha que isso não funcionaria para eles, ou até mesmo que não seriam capazes da empreitada. Pois eu digo que esses pensamentos devem ser colocados de lado e tentar assim mesmo!

Se as habilidades na escrita não forem suficientes, sempre é possível pedir ajuda para contornar isso. E, como foi dito anteriormente, mais que um bom conteúdo, o que realmente fará a diferença é sua disposição para se relacionar com seu público.

O pior que pode acontecer é os resultados alcançados não atingirem o esperado. De qualquer forma, ainda que insuficientes, já serão melhores que se não fizer nada.

O único que não se pode aceitar é ficar parado. Se eu não tivesse dado esse passo no dia 21 de julho de 2016, hoje eu não estaria aqui compartilhando isso tudo com vocês.

E teria 100 mil amigos a menos.


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Não tem mágica: o sucesso NÃO acontece por acaso

Cena da paródia “Qual é a senha do WiFi”, de Whindersson Nunes – Imagem: reprodução

Cena da paródia “Qual é a senha do WiFi”, de Whindersson Nunes

No dia 4, Whindersson Nunes destronou o Porta dos Fundos da posição de maior canal brasileiro do YouTube, coroa que ostentava desde abril de 2013. O novo rei da montanha era um completo anônimo até havia pouco tempo, e sua história é muito parecida com a de milhares de youtubers que buscam o estrelato, além de um sem fim de empreendedores que tentam dar certo com todo tipo de negócio. Mas então por que temos tão poucos Whinderssons e empreendedores de sucesso?

A história do youtuber, que faz paródias musicais e comenta descontraidamente o seu cotidiano, fica ainda mais interessante por ser um sucesso completamente improvável. E disso qualquer um de nós pode aprender algo útil.

Originário de Bom Jesus, que fica a 635 Km de Teresina (PI), ele sequer tinha uma câmera ou acesso à Internet quando começou há cinco anos: andava três quilômetros até a casa de uma amiga para emprestar o equipamento e depois ainda subia o vídeo com sua conexão. Tampouco tinha cenário, iluminação ou técnica: gravava tudo em seu quarto desarrumado. E, durante dois anos, fez isso para os pouquíssimos gatos pingados que o assistiam.

Até que, nos primeiros dias de 2013, publicou a paródia abaixo, “Alô vó, tô reprovado”, gravado modestamente em uma escola:



Nas primeiras horas, parecia ser apenas mais um vídeo que não daria em nada, mas, da noite para o dia (literalmente), o vídeo teve 300 mil visualizações. Em um mês, chegou a 5 milhões de visualizações e o canal ganhou 30 mil inscritos, tornando-se o maior do Nordeste.

Foi quando Whindersson teve a sua conta invadida e o canal apagado. Perdeu todos os seus vídeos e, o que era pior, todos os seus inscritos e outras métricas importantes para o YouTube. Entretanto, apesar de todo o seu desgosto, ele insistiu: recriou o canal e conseguiu seguir o caminho que tinha começado a trilhar do ponto em que tinha sido interrompido.

Muita gente torce o nariz para Whindersson e questiona como alguém que “nem fala direito” pode fazer tanto sucesso!

Certamente não foi por acaso.

 

Dedicação e um bom produto

A primeira coisa que digo a esses incrédulos é que primeiramente eles precisam se despir de seus preconceitos. Eles podem ter um monte de argumentos legítimos para achar que Whindersson Nunes só faz porcaria, e que, portanto, seu sucesso seria indevido.

Essas pessoas precisam aprender (ou aceitar) que ele é bom no que faz e que seu produto é bom. Talvez apenas não seja para eles. Mas é para muita (aliás muitíssima) gente que se identifica e se diverte com o youtuber.

Ninguém chega a 13 milhões de inscritos no YouTube (valores do momento em que estou escrevendo esse artigo) à toa. Poderia me resumir a dizer que isso só aconteceu pela sua dedicação, mesmo diante de um duro golpe (como quando seu canal foi excluído), ou por acreditar em seu sonho. Mas isso seria simplificar demais a coisa, e ficaria parecendo mais um daqueles textos de autoajuda do tipo “sim, você também pode se acreditar!”

Claro que isso tudo é ingrediente do seu sucesso! Mas não é tudo. Whindersson sabe qual é seu talento e o empacota muito bem em um produto. Em nenhum momento, ele tenta agradar a todos, mesmo porque isso é impossível, especialmente em um produto cultural.  Além disso, com o tempo, foi refinando sua técnica, investiu em equipamentos e hoje pode até se dar ao luxo de contratar equipes para fazer vídeos muito bem produzidos, como “Qual é a senha do WiFi”, seu maior sucesso (mais de 38 milhões de visualizações até agora), que pode ser visto abaixo:



Mas Whindersson não está sozinho nisso.

 

Conheça seus clientes

O YouTube está cheio de outros exemplos de “gente como a gente” que ficou famosa. Garanto que nunca foi “sem querer”.

Gosto muito do exemplo da Kéfera Buchmann, quase 10 milhões de inscritos, dois livros publicados e, atualmente, fazendo sucesso no cinema. Ela também começou bem devagar, há seis anos, com o vídeo abaixo:



Assim como acontece com Whindersson, muita gente fica incomodada com o sucesso dela. E, assim como no outro caso, isso demonstra uma enorme miopia.

Kéfera sabe muito bem quem é seu público: meninas adolescentes. Ela também sabe o que elas querem, do que gostam, como falam, onde estão. E, com isso, conseguiu formatar o seu produto –ela mesmo– para que seus clientes –as meninas– se identifiquem totalmente com ele.

Por isso, ela fala para as meninas! Não fala para os meninos, nem para os namorados das meninas, nem para a mãe das meninas. Claro que todos eles também assistem a seus vídeos, mas isso é circunstancial: Kéfera foca sua produção para seus clientes.

Além disso, apesar de o Youtube ser o seu principal local de exposição, ela está presente em todas as redes sociais. Mais que isso: ela sabe aproveitar o que cada uma tem de melhor, suas características particulares, para maximizar seus resultados. Com o tempo, aprendeu a fazer isso também em outros pontos de contato, inclusive na mídia tradicional.

Portanto, não tem nada de acaso nessas histórias. E não há só humor, dedicação ou persistência dos protagonistas. Isso é marketing de primeiríssima qualidade.

Há ainda um último grande ensinamento que Whindersson e Kéfera podem dar a qualquer um: eles falam com seus clientes.

A imensa maioria das empresas são guiadas por um pensamento tacanho de que não precisam se relacionar com quem consome seus produtos. Seguem a cartilha escrita no século passado que diz que basta ter um bom produto e fazer uma boa campanha de marketing para as pessoas saberem de sua existência e compararem sua produção. E acham que o trabalho acaba quando a venda é feita.

Bem, as coisas não são mais assim. Os consumidores hoje querem se relacionar com quem produz aquilo que compram. Querem falar e receber resposta. E não pode ser qualquer uma: assessoria e SACs com respostas padronizadas já não funcionam tão bem.

Whindersson, Kéfera e muitos outros empresários dessa nova forma de economia, que vai muito além de vídeos no YouTube, demonstram uma empatia genuína com seus clientes. Esse é um sentimento que, cada vez mais, resulta em relações comerciais mais duradouras e eficientes.

Como se pode ver, não há sucesso por acaso.


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E se a declaração de amor for só marketing, isso é traição?

Foto: t.germeau /Creative Commons

A semana passada começou com um artigo de Gregório Duvivier que agitou a Internet. Em um texto de grande sensibilidade, ele conta detalhes do relacionamento que teve com a também atriz Clarice Falcão. As palavras emocionaram muita gente, e foram bem compartilhadas pelas redes sociais, com pessoas até torcendo para eles ficarem juntos de novo. Mas o artigo não passava de uma peça de marketing! E isso deixou parte da turma acima bem brava quando perceberam que tinham sido “enganados”.

Duas dúvidas me ocorreram nesse episódio. A primeira era se as pessoas estavam, afinal, irritadas com a “mentirinha” ou com o fato de terem caído nela. A outra era se o autor teria abusado do espaço editorial que tem na Folha de S.Paulo e assim, de certa forma, manipulado seus fãs.

Afinal, algum limite ético foi ultrapassado nesse episódio?

Para quem não soube do caso, o referido texto visava a promoção do filme “Desculpe o Transtorno”, estreado por Gregório e Clarice, e que estrearia nos cinemas três dias após a publicação do artigo. Olhando agora para ele, parece óbvio que se trata de uma propaganda escancarada, chegando ao ponto de o nome do filme aparecer no título do texto! Mas muita gente caiu como um pato na lábia do autor. Pior que isso: mesmo depois de descoberta a “farsa”, um grupo ainda tentava achar justificativas para continuar acreditando que era tudo por amor.

Quando comecei a ler o artigo, achei aquilo meio esquisito. Preciso admitir que nunca tinha ouvido falar do filme, portanto passei batido pela referência já no título do texto. Mas, apesar de muita gente curtir essa história de demonstração pública de afeto, usar a própria coluna no maior jornal do país para isso (e para a ex), como se fosse um post em um blog adolescente, me pareceu um tanto fora do lugar. Até que, no último parágrafo, ele menciona, quase que desconversando, ter visto, naquela semana, “o filme que a gente fez juntos”.

Aí a coisa começou a fazer sentido.

 

Precisamos de boas histórias

A essa altura do campeonato, a confusão já estava armada. O “buzz” nas redes sociais atingia níveis elevadíssimos, com gente com os olhos ainda marejados e outra turma escancarando que tudo não passava de propaganda.

Seguindo a máxima dos políticos de “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”, o artigo atingiu o seu objetivo. Com certeza, muita gente que, sem ele, nem ficaria sabendo do filme agora vai no cinema para ver o casal. As bilheterias agradecem.

Portanto, aprovem ou não seus métodos, Gregório escreveu um belo texto, com um objetivo muito claro. Depois foi só deixar os infames algoritmos de relevância das redes sociais fazerem a sua “mágica”, espalhando o artigo rapidamente, graças ao engajamento que ele provocava nas pessoas, seja ele de apoio ou de reprovação.

O ser humano sempre precisou de boas histórias. Elas têm um papel fundamental de nos fazer seguir adiante, de nos unir em torno de uma causa, de acreditar que é possível vencer. Em resumo, para que tenhamos objetivos e esperança. E as boas obras da literatura e da dramaturgia usam isso para conseguir sucesso.

Isso também é ingrediente para o marketing. Nesse caso, as boas histórias são usadas para que o público se identifique com uma marca, um produto, uma campanha e, dessa forma, se torne um consumidor. A diferença é que, nesse caso, há o componente comercial bem explícito. É por isso que os veículos mais éticos deixam claro que determinado conteúdo é publicidade, quando isso não estiver bastante claro ao público.

A crise que assola o nosso país há vários semestres coloca um ingrediente perverso nesse caldeirão: nesse momento de desesperança (e até de desespero para alguns), as boas histórias ganham um papel ainda mais essencial em nossas vidas.

Isso explica, pelo menos em parte, por que algumas pessoas ficaram bravas quando descobriram que a declaração de amor de Gregório era só marketing. Elas se sentiram, de certa forma, enganadas e usadas, para que passassem adiante a publicidade, pensando que era apenas uma história de amor.

Então, sim, a gritaria é legítima. Não porque a “campanha” tenha causado um grande mal a alguém: nada disso! Mas ela deixa claro como, atropelando alguns conceitos essenciais e usando as palavras certas e os meios adequados, é possível vender qualquer coisa.


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Como criar um mito e destruir um ídolo só com redes sociais

Homem em Berlim chuta cabeça de estátua derrubada do ex-lider soviético Lenin - imagem: reprodução

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Há alguns dias, meu LinkedIn, meu Facebook e o meu Twitter começaram a ser inundados de posts destruindo a imagem de Bel Pesce, uma das palestrantes mais requisitadas do país, autora de livros e celebridade do empreendedorismo. A virulência dos comentários provocou uma mancha que dificilmente descolará de seu perfil, o que é devastador para alguém que vive essencialmente de sua imagem. Ironicamente, as mesmas redes sociais tiveram papel determinante na construção dessa imagem incrível da qual ela desfrutava até a semana passada. Então como é possível alguém ir do céu para o inferno tão rapidamente, sem escalas?

A resposta: porque temos acreditado muito facilmente no que as redes sociais jogam na nossa cara. É como se estivéssemos perdendo a nossa capacidade de questionar o que nos apresentam, algo essencial para a nossa vida! É a coroação da eficiência dos malfadados algoritmos de relevância, que decidem por nós o que seria bom para cada um.

Há alguns dias, coincidentemente abordei aqui como a combinação do ufanismo desmedido da TV com o poder de ressonância das redes sociais fez com que os brasileiros esquecessem momentaneamente suas diferenças e ignorassem os gravíssimos problemas que nos atingem, para caminharem juntos e deslumbrados em direção ao ideal olímpico da Rio 2016.

Com o fim da Olimpíada, todos caíram da cama daquele sonho lindo diretamente nos momentos derradeiros do impeachment de Dilma Rousseff. Agora os mesmos algoritmos de relevância das redes sociais servem para polarizar a população em dois grandes grupos que se odeiam e se agridem cada vez mais, apesar de estarem lutando por pessoas profissionais no jogo político, diametralmente oposto no discurso, mas que, na prática, são muito próximos.

Mas como esses sistemas expuseram Bel Pesce?

 

Quanto vale a menina?

Antes de prosseguir, quero deixar claro que esse artigo não pretende defender ou acusar Bel Pesce, e sim tentar entender como as redes sociais tiveram papel determinante na sua ascensão e, salvo alguma grande cartada porvir, queda.

Para quem não a conhece ou não sabe do que trata essa crise, farei um breve resumo dos acontecimentos.

Tudo começou quando Bel se juntou a dois amigos na ideia da criação de uma hamburgueria batizada de Zebeleo, combinação de ZÉ Soares (do canal “Do Pão ao Caviar”), BEL Pesce e LEO Young (vencedor do MasterChef). Recorreram a um site de crowdfunding para tentar captar R$ 200 mil necessários para a empreitada. Para quem não conhece esse tipo de financiamento coletivo, doa quem achar que o negócio vale a pena e merece seu apoio. Para isso, é de praxe que o negócio seja bem descrito e apresentado aos candidatos a doadores. E foi aí que o Zebeleo deu errado, pois o grupo falhou miseravelmente nessa tarefa. Por isso e talvez pela fama dos sócios, muitos internautas começaram a fazer pesadas críticas ao projeto, visto como uma “viagem de três playboys”, que estavam pedindo dinheiro para viabilizá-la.

Normalmente isso não passaria de um mimimi que cairia no ostracismo rapidamente. Mas as redes sociais impediram que isso acontecesse, e a gritaria explodiu de uma maneira quase incompreensível. O blogueiro e youtuber Izzy Nobre, que possui uma boa audiência nas redes sociais, repercutiu a história. Mas, diante de uma enxurrada de críticas de fãs de Bel, resolveu ir além e investigar a vida da “menina do Vale”, como Bel ficou conhecida, por sua passagem profissional no Vale do Silício.

Foi aí começou o seu calvário.

 

A diferença de fraude e autopromoção

Izzy fez uma boa investigação sobre tudo o que Bel diz ser e ter feito. E suas conclusões foram acachapantes.

A essa altura, ninguém mais falava do Zebeleo, só dela. Em um artigo, o blogueiro demonstrou como Bel criou uma versão de si mesma muitíssimo mais dourada do que realmente é. Segundo seus levantamentos, ela teria usado palavras dúbias (na melhor das hipóteses) ou deliberadamente mentido (na pior) sobre a sua formação acadêmica e a sua experiência profissional.

Mais que isso, a moça teria usado com maestria os recursos das redes sociais e seu bom relacionamento com alguns jornalistas para transformar aquela historinha em um fato consumado. Depois foi só deixar os algoritmos fazerem o seu trabalho de replicar tudo, até que se transformasse em uma unanimidade, uma jovem com histórico de empreendedora invejável e formação acadêmica de tirar o chapéu.

Independentemente de tudo que Izzy escancarou, Bel tem o dom da palavra. Soube surfar nessa onda para vender seus livros e suas palestras, a ganhar uma multidão de fãs, que acreditaram em tudo aquilo. O problema é que ele a expôs como uma grande fraude, uma pessoa que teria ido muito, muito além do que é aceitável em uma simples autopromoção.

O negócio virou uma pororoca instantânea, com toda a superexposição obtida nas redes sociais se voltando contra ela. Grande parte dos fãs se sentiram traídos, enganados. Ao mesmo tempo, um sem fim de detratores apareceram para crucificar a “menina do Vale” em infindáveis posts e artigos. E os algoritmos de relevância se encarregaram de transformar aquelas revelações e um fator de execração nacional

Bel Pesce foi pendurada pelos pés, com as entranhas à mostra em praça pública.

 

A falta de defesa

Apesar de a pesquisa de Izzy parecer bastante consistente e suas conclusões serem bem amarradas, ele incorreu em um gravíssimo erro ético: ele não ouviu quem estava prestes a acusar, o que, em jornalismo, chamamos de “ouvir o outro lado”, um dos pilares da profissão. Na verdade, a impressão que ficou é que ele foi muito eficiente em levantar material que desconstruísse o mito Bel Pesce, mas talvez nem tenha tentado procurar algo que corroborasse pelo menos parte da história da moça.

Permitir a defesa a alguém em iguais condições serve também para reforçar argumentos contrários, no caso de a parte acusada realmente tiver culpa no cartório. Ao privá-la disso em seu próprio espaço, Izzy abriu espaço para que Bel e seus defensores tentem desqualificar seus argumentos, mesmo os cobertos de razão, tentando colar nele rótulos emocionais, como “invejoso”, “imaturo” ou “irresponsável” (o que, aliás, já andei vendo por aí).

Incrivelmente (ou não), Bel está perdendo a chance de se aproveitar disso para se defender. Sua imagem está terrivelmente arranhada, mas, passados vários dias, o máximo que ela fez foi um singelo post no Facebook, onde se posiciona como vítima de uma suposta campanha de pessoas “cheias de ódio”, que estariam usando “informação de má-fé e de forma deturpada”. Esse silêncio só piora ainda mais sua situação.

O problema é que, fato ou boato, o que foi publicado contra ela “pegou” como verdade, e está se espalhando mais rapidamente que rastilho de pólvora. A outrora imagem vencedora da “menina do Vale” já está até virando motivo de chacota em “memes” (hoje li um deles, que dizia “ah, mas esse currículo tá meio Bel Pesce”, referindo-se a alguém que mente e exagera nos seus feitos).

As redes sociais são implacáveis, não perdoam aqueles que são rotulados negativamente e não conseguem apresentar uma defesa convincente de maneira muito ágil. Cada segundo que passa pode ser um prego no caixão de alguém que já foi ídolo até o dia anterior.

E o mais incrível disso tudo é pensar que, se não fosse a displicência no projeto do Zebeleo, provavelmente nada disso teria acontecido, e as redes sociais ainda amariam Bel Pesce como faziam.


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A Olimpíada, a TV, as redes sociais e os riscos do pensamento único

Serginho, eleito o melhor jogador de vôlei da Rio 2016, chora ao receber a medalha de ouro - imagem: reprodução

Serginho, eleito o melhor jogador de vôlei da Rio 2016, chora ao receber a medalha de ouro

A Rio 2016 chegou ao fim, deixando emoções inesquecíveis para todos. Não há como negar que os Jogos foram um grande sucesso! Por 17 dias, foi como se todos os problemas do nosso país tivessem sumido, sendo substituídos por um júbilo olímpico que ocupou a mente e o coração de todos. Mas isso só foi possível por um interessante e perigoso alinhamento entre TV e redes sociais.

Evidentemente os nossos problemas não desapareceram. Apesar de a bandidagem tradicionalmente pegar mais leve em grandes eventos (pois isso é bom para os negócios), quem precisou de um hospital público no período sofreu para conseguir qualquer atendimento, exatamente como acontecia antes dos Jogos. Isso só para ficar nos exemplos da violência e da saúde falida. Então como explicar esse pensamento único que, apesar de ter desempenhado um importante papel de resgate da autoestima do brasileiro, foi quase uma lavagem cerebral?


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A resposta é totalmente midiática. Ou seja, por baixo de tanta alegria, nossas mazelas persistiam. Mesmo assim, televisão e redes sociais praticamente só mostravam as Olimpíadas. E os sentimentos eram sempre positivos.

Estive no Rio nos dias imediatamente anteriores à abertura dos Jogos. Apesar de a cidade estar ainda mais bonita, e de já se ver o volume de turistas aumentando, era fácil notar que ainda faltava muita coisa a ser feita, e que a entrega só se daria nos acréscimos do árbitro. Os exemplos mais emblemáticos foram o metrô para o Parque Olímpico e a Vila dos Atletas, cujos inúmeros problemas ganharam as manchetes no mundo todo.

E a imprensa nacional e estrangeira batia. As delegações batiam. Nós todos batíamos nas redes sociais. Mas o que mais me preocupou naquela visita foi notar que muitos, talvez a maioria dos cariocas, não pareciam dar a menor bola para o que estava prestes a começar, quase como se a Olimpíada fosse acontecer em outro país. E eu sentia uma grande tristeza, pois via que aquelas pessoas estavam jogando fora a chance de algo que provavelmente nunca mais teriam de novo.

Foi quando Vanderlei Cordeiro de Lima acendeu a pira olímpica no dia 5. E o fogo pareceu esterilizar tudo o que havia de ruim.

E ninguém mais bateu.

 

Caixa de ressonância

No dia 5 de janeiro, publiquei aqui um artigo questionando o que restaria à mídia nesse ano que então começava. Em determinado momento disse que a principal cobertura da Rio 2016 ficaria na mão da grande imprensa, particularmente da Globo, pois é um evento que exige imensos investimentos. O que de fato aconteceu.

Mas a Vênus Platinada não foi a única responsável por essa mudança acachapante do pessimismo pelo encanto. As redes sociais tiveram papel determinante na amplificação disso tudo.

Como acontece em muitas ocasiões, a grande imprensa foi a origem do noticiário, enquanto as redes sociais funcionaram como perfeitas caixas de ressonância. Entretanto, como não se via há anos no Brasil, dessa vez todos foram juntos para um único lado. Não havia embates entre coxinhas e petralhas, nada de Corinthians versus Palmeiras, nem sinal de motoristas contra ciclistas.

Agora eram todos olímpicos, indo na mesma direção e no mesmo sentido. A TV cumpria seu papel de fornecer material. E as redes sociais transformavam aquelas imagens em um fator de união nacional.

Foi lindo! Esse povo sofrido precisava disso… Mas que medo!

 

Diferentes unanimidades

O grande Nelson Rodrigues, pernambucano de nascimento, mas fervoroso torcedor do Fluminense, disse a célebre frase “toda unanimidade é burra”.  E arrematou: “Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar”.

Isso é uma dolorosa verdade quando vamos todos para o mesmo lado só porque a manada está indo para lá. Quando vamos a um restaurante porque os críticos o elogiam. Quando metemos o pau na Seleção Brasileira porque está jogando muito mal, e passamos a enaltecê-la quando continua ruim, mas melhora só um toquinho, o suficiente para o Galvão Bueno voltar a soltar seus infames bordões ufanistas. Afinal, o show tem que continuar!

É verdade que o futebol masculino brasileiro acabou ganhando o inédito ouro. Mas, para isso, tivemos que ouvir Neymar dizer a todos que “vocês vão ter que me engolir”, e depois partir para a agressão física contra torcedores ainda com a medalha no peito, dentro do Maracanã.

Esse é um preço muito alto por esse ouro. Não quero ter que engolir o galinho de briga, só porque a maioria diz que ele é um craque. Não estou impondo, com isso, o que eu acho sobre Neymar. Posso estar errado, afinal, e tenho que aceitar isso. Assim é a democracia, liberdade de pensamento, livre arbítrio.

Quero ter o direito de questionar, mas preciso aceitar quem pensa diferente de mim. Esse é o alicerce para tentar chegar a outra unanimidade, a inteligente. Que também pode falhar, mas que sempre constrói algo de bom ao contrapor pensamentos diversos e livres.

Por isso, sou muito mais Serginho, eleito o melhor jogador do torneio de vôlei da Rio 2016, com uma carreira muito mais campeã que a de Neymar, mas que, assim mesmo, se desfez em um choro muito humilde ao ganhar sua medalha de ouro. Um bom exemplo, afinal, para futuros atletas e para toda a sociedade.

Isso aconteceu no último dia da Olimpíada. Coincidentemente, nesse dia as redes sociais voltaram a apresentar divergência de pensamentos, patrocinados por esses comportamentos tão distintos desses dois atletas. Prefiro assim: redes sociais promovendo pensamentos diferentes, mesmo sob risco de polarizações (mas sem insanidades).

Já estou com saudades da Rio 2016! Não porque me cegou, mas porque me permitiu continuar vendo o mundo de diferentes maneiras, além do óbvio. Essa discussão foi mais um de seus legados. Agora é arregaçar as mangas para tentar resolver os problemas que estão aí. Aliás, de onde nunca saíram.


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Use o Inbound Marketing para transformar seus visitantes em clientes fieis

Foto: reprodução

Na semana passada, expliquei aqui como o Marketing de Conteúdo faz com que as pessoas procurem sua marca, que pode se tornar referência no seu segmento. Mas há um jeito de aumentar ainda mais as suas vendas, acelerando a transformação desses visitantes em clientes: o Inbound Marketing. Só que, apesar de estar na moda, pouca gente sabe realmente o que ele é.

O Marketing de Conteúdo subverte a lógica do marketing tradicional, que tenta empurrar o produto para o cliente, algo cada vez menos eficiente, pois as pessoas ganham cada vez mais poder no processo de decisão de compra. Com esse novo formato, as pessoas se relacionam espontaneamente com a marca em busca da informação, podendo, assim, se transformar em clientes. Já o Inbound Marketing é uma metodologia que aplica sobre esses visitantes uma boa dose de pragmatismo, fortalecendo esse relacionamento e tornando-o ainda mais eficiente nas vendas.


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O vídeo acima é um resumo (10 minutos) da palestra sobre Marketing de Conteúdo e Inbound Marketing, realizada no Campus São Paulo do Google no dia 28 de julho. Você pode assistir gratuitamente a íntegra do evento, incluindo todos os slides da apresentação, nesta página (1 hora e 32 minutos).


O Inbound Marketing é tradicionalmente dividido em cinco etapas: “atrair”, converter”, “relacionar”, “vender” e “analisar”. O Marketing de Conteúdo está justamente no começo do processo, pois um ótimo conteúdo –que pode ser artigos, reportagens, vídeos, serviços– é essencial para atrair pessoas para a marca. Dessa forma, pode-se dizer que o Marketing de Conteúdo é a semente do Inbound Marketing.

Mas fazer um excelente conteúdo não é suficiente: é preciso que os potenciais clientes saibam de sua existência. Dessa forma, além de publicá-lo, é preciso que ele seja devidamente promovido, o que pode ser feito com um bom trabalho nas redes sociais e com um bom SEO (técnicas para o material aparecer melhor nos resultados de buscadores). Em alguns casos, pode até ser justificável algum investimento em publicidade, principalmente quando o site ou aplicativo for recém-lançado.

Ao final dessa etapa inicial de atração, o que se tem são apenas visitantes. Por mais que um bom Marketing de Conteúdo já cumpra a importante função de aproximar essas pessoas da marca, quase sempre elas são anônimas. Por isso, a etapa seguinte do Inbound Marketing visa converter esses visitantes em “leads”. Ou seja, a marca deve oferecer algo a mais para que o visitante concorde em entregar informações pessoais para reforçar esse relacionamento. Um exemplo cada vez mais comum nos meios digitais é a oferta de e-books sobre os mais diferentes assuntos, entregues gratuitamente a qualquer um que forneça seus dados.

 

Criando laços duradouros

Essa ação é essencial para a etapa seguinte do Inbound Marketing, quando a empresa começa a se relacionar com o cliente. O objetivo é claro: conhecer mais cada uma dessas pessoas. Não quero dizer conhecer amplamente, mas naquilo que interessa ao negócio. Por exemplo, de todos os produtos da empresa, quais podem interessar ao cliente? Informações demográficas que podem ajudar a tomar decisões futuras também são bem-vindas, como sexo, idade, local de residência, estrutura familiar, profissão, nível educacional, renda familiar, entre tantos outros.

Como se pode imaginar, esse relacionamento não se constroi de uma hora para outra: a empresa deve coletar continuamente essas informações em diferentes ações promocionais. O cliente deve sentir como se a empresa fosse uma parceira, em uma relação em que os dois lados efetivamente ganham algo com isso.

Não é algo que se faz rapidamente: é um processo contínuo e duradouro, e quanto mais o relacionamento se fortalecer, melhor para a tomada de decisões empresariais. Isso fica claro em pesquisa da Forrester Research que indica que é possível vendar 50% a mais com custos 33% menores se existir previamente um bom relacionamento com o potencial cliente.

O motivo disso é simples: quando se chega à etapa seguinte, a da venda, ela será muito mais fácil se a empresa promover um produto para quem estiver realmente interessado em comprá-lo (ou pelo menos aberto a ouvir a proposta). E, se a etapa anterior tiver sido bem feita, a companhia saberá separar o joio do trigo dentro de sua base de possíveis clientes. O resultado são mais vendas com menos investimentos.

Mas se engana quem pensa que o processo acaba depois da venda: essa é uma visão do marketing tradicional. No Inbound Marketing, há ainda mais uma etapa, a da análise, em que a empresa continua o relacionamento com os clientes. Isso significa não apenas continuar coletando e atualizando a base de informações pessoais, mas também tratando de identificar os acertos e os erros de cada venda, para refinar continuamente o processo. Isso é fundamental, pois a experiência pós-venda é a base para futuras compras do mesmo cliente e de outras pessoas.

É um processo sem fim, mas, longe de ser algo penoso, traz resultados tão melhores quanto mais refinado e contínuo for.

 

Fugindo das armadilhas

Mas nem tudo são flores. Tanto o Marketing de Conteúdo quanto o Inbound Marketing possuem algumas armadilhas que podem pegar aqueles que não dominam essas metodologias.

A primeira e mais comum é sair criando conteúdo sem ter uma estratégia de relacionamento clara. Não há nenhum problema em se oferecer conteúdo de boa qualidade às pessoas, mas se não houver um objetivo claro, ele será “apenas bom conteúdo”, e a empresa não ganhará nada com isso. Da mesma forma, quando cria o conteúdo, a companhia deve ter claro o que quer ensinar ao consumidor. Ou seja, o conteúdo deve ter o seu próprio objetivo.

Isso nos leva a outro erro comum: não criar “personas” para identificar os diferentes públicos das campanhas. Naturalmente, esses públicos devem ter alguma relação com o negócio: de nada adianta ficar produzindo material sobre, por exemplo, moda, se a empresa for uma indústria de máquinas pesadas. As “personas” também são importantes porque a maioria dos negócios tem vários grupos de clientes. Portanto, é provável que cada conteúdo produzido interesse apenas a alguns deles por vez: é muito difícil querer mirar em todos e ter sucesso de uma só tacada. O melhor é produzir conteúdo diferente para cada segmento.

Os responsáveis pelas campanhas também devem definir métricas para avaliar o seu sucesso. E isso não significa ficar medindo quantos page views ou visitantes únicos a campanha teve, as primeiras coisas que se pensa quando se trata de campanhas digitais. Essas informações interessam muito mais ao administrador do servidor. Para pessoas de negócios, as métricas que realmente valem são àquelas relacionadas ao Inbound Marketing, como, por exemplo, quantos leads foram gerados, como está a coleta de informações do público ou quantas vendas surgiram no processo. E, claro, uma vez definidas as métricas, elas devem ser continuamente analisadas, resultando em ações para melhorar o processo.

Como o objetivo de tudo isso são vendas, as campanhas de Inbound Marketing devem oferecer aos clientes “landing pages” e “call to action” eficientes. Traduzindo o jargão, as páginas e as frases usadas para tentar convencer o cliente a aumentar ainda mais o relacionamento ou efetivar compras devem ser adequadas ao público da campanha, para que as pessoas fiquem motivadas a fazer isso.

Por fim, a criação desse conteúdo deve ser algo regular, constante, com frequência definida. E isso deve ser respeitado! Afinal, quando se produz um grande conteúdo com o objetivo de fazer com que as pessoas voltem sempre, isso eventualmente dará certo. E não se pode decepcionar esse novo público, seus novos fãs.

 

Vieram para ficar

O Marketing de Conteúdo e o Inbound Marketing apontam a maneira moderna do relacionamento das empresas com seus clientes, em um mundo cada vez mais conectado, em que consumidores têm voz poderosa, onde cada pessoa pode influenciar a decisão de compra de um desconhecido que pode estar do outro lado do globo. É uma realidade em que não se pode querer simplesmente empurrar produtos ou serviços goela abaixo das pessoas, pois o consumidor não aceita mais isso.

Você pode assistir gratuitamente à íntegra da minha palestra no Campus São Paulo do Google para entender melhor sobre essas duas incríveis técnicas, e saber ainda mais como aplicá-las agora mesmo ao seu negócio, qualquer que seja sua natureza e o seu porte. É uma excelente maneira de obter resultados melhores com investimentos menores, algo que todos nós queremos.


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Marketing de Conteúdo e Inbound Marketing podem levar seu negócio às estrelas

Felix Baumgartner se prepara para seu salto da estratosfera, em evento patrocinado pela Red Bull - Foto: divulgação

Felix Baumgartner se prepara para seu salto da estratosfera, em evento patrocinado pela Red Bull

Você já pensou em produzir artigos e reportagens para atrair potenciais clientes para o seu negócio? Se não fez isso, deveria! Essa é a base do Marketing de Conteúdo, uma maneira moderna, eficiente e proporcionalmente barata de promover produtos e serviços de qualquer natureza e qualquer porte.

No último dia 28, tive a oportunidade de conversar sobre Marketing de Conteúdo e Inbound Marketing com uma plateia bastante qualificada no Campus São Paulo do Google. Um resumo em vídeo da palestra (10 minutos) pode ser visto abaixo (para assistir à íntegra, é só clicar aqui).


Vídeo relacionado:

O vídeo acima é um resumo da palestra realizada no Campus São Paulo do Google (10 minutos). Você pode assistir gratuitamente a íntegra do evento, incluindo todos os slides da apresentação, nesta página (1 hora e 32 minutos).


Apesar do grande interesse em torno dessas técnicas e de estarem “na boca do povo”, pouca gente sabe realmente o que elas significam e como fazer isso. O erro mais comum é achar que escrever artigos os fazer postagens em redes sociais sobre sua empresa e seus produtos é Marketing de Conteúdo. Só que isso simplesmente não funciona, pois contaria um de seus conceitos básicos: não falar sobre si mesmo! E o motivo é simples: por mais que você ache que o que você faz é incrível (e pode ser mesmo), as pessoas, de maneira geral, não estão nem aí para sua empresa ou seu produto. Portanto, se o objetivo é atrair o público, o caminho deve ser outro.

Na verdade, a proposta do Marketing de Conteúdo é criar conteúdo de alta qualidade sobre qualquer tema de interesse dos clientes em potencial, e que guarde alguma semelhança ou vínculo com o que a empresa faz. A ideia é que, se esse material for realmente bem produzido e promovido, as pessoas começarão a visitar o site, aplicativos e publicações da empresa em busca desse tipo de informação.

Se o trabalho for feito com consistência, essas visitas podem se tornar recorrentes, e a marca pode até mesmo se tornar referência no assunto. Então, se tradicionalmente as empresas buscam fidelizar seus clientes, no Marketing de Conteúdo o sujeito pode ser fidelizado pela marca antes mesmo de comprar um único produto.


Red Bull: muito sobre esportes; nada sobre energéticos - Imagem: reprodução

Home page do site da Red Bull: muito sobre esportes; nada sobre energéticos


Um excelente exemplo de marketing de conteúdo é o produzido pela Red Bull. Um visitante incauto do site da empresa poderia imaginar que se trata de uma publicação especializada em esportes radicais, automobilismo, motociclismo, games e música, pois é só isso que existe ali, e material de ótima qualidade. Curiosamente quem estiver procurando informação sobre seus energéticos, terá dificuldade de conseguir isso lá. Além disso, a empresa é grande patrocinadora de eventos dessas naturezas, como atletas e equipes de mais diferentes esportes (até mesmo de Fórmula 1). Também promove iniciativas de grande apelo na mídia, como o salto de paraquedas de Felix Baumgartner, que pulou a partir de um balão atmosférico na estratosfera, gerando na época a transmissão do YouTube com mais audiência da história:



 

O assunto certo para o público certo

A Red Bull é um caso realmente emblemático de uma empresa que faz um investimento fenomenal na criação de conteúdo para não falar nada sobre o próprio produto. Mas todo esse conteúdo costuma interessar pessoas que são seu target. Dessa forma, a marca da empresa está sempre na mente desse pessoal. Quem sabe, até mesmo, toque seus corações? Não por acaso é impossível não pensar em Red Bull quando se pensa em energético.

Mas a beleza do Marketing de Conteúdo é que ele pode ser feito com investimentos mínimos, ao alcance de qualquer empresa. Patrocinar um salto do limite do espaço é muito bacana, mas produzir artigos de qualidade e com consistência sobre assuntos de interesse dos consumidores de seus produtos e serviços também funciona muito bem.

O segredo, nesse caso, é, além de identificar assuntos que realmente interessem a essas pessoas, produzir esse material e fazer com que eles cheguem até seus olhos. Para isso, fazer um bom trabalho nas redes sociais pode trazer excelentes resultados para que o assunto certo impacte o público certo, não apenas com campanhas em coisas como o Facebook, mas com um genuíno interesse em querer interagir com as pessoas. E fazer publicações aqui no LinkedIn pode gerar resultados muito positivos para a marca, pois este é um ambiente em que as pessoas estão predispostas a discutir grandes ideias.

Quando digo que isso serve para qualquer empresa, é qualquer empresa mesmo! Na palestra da semana passada, citei o caso da Foiled Cupcakes, uma microempresa de Chicago especializada em vender esses bolinhos. Criada em 2008, eles estiveram muito perto de fechar as portas porque, após seis semanas de funcionamento, não havia vendido um cupcake sequer! Foi quando sua proprietária, Mari Luangrath decidiu começar a produzir conteúdo sobre esses quitutes e publicá-los em redes sociais, e a conversar com potenciais consumidores.

Resultado: nas seis semanas seguintes, Mari ganhou mais de 2.000 seguidores e superou as metas originais de vendas em mais de 600%! A Foiled Cupcakes havia sido salva pelo conteúdo editorial. A um custo virtualmente nulo.

Por isso mesmo, se você está em uma startup, o Marketing de Conteúdo deve ser observado com muito carinho. Afinal, esses negócios normalmente têm uma verba bastante restrita para marketing.

Para eles, o Marketing de Conteúdo também traz outras vantagens bastante interessantes. Por serem marcas recém-criadas e, portanto, desconhecidas, essa técnica permite que os investimentos para sua divulgação atinjam de maneira bastante assertiva não apenas potenciais clientes, mas também possíveis parceiros e fornecedores alinhados com o projeto. Isso evita perder tempo e dinheiro com quem não tem essas características necessárias.

Um porém que se pode colocar no Marketing de Conteúdo é que ele é um processo de longo prazo. Se está buscando consumidores para a semana que vem, ele não é o caminho! Como toda forma de relacionamento, ele exige tempo para construir e fortalecer os laços entre a empresa e seu público. A boa notícia é que, se ele for bem feito e consolidado, o caminho fica bem pavimentado para futuras vendas mais fáceis.

O mercado afirma que o ROI de campanhas de marketing de conteúdo chega a ser cinco vezes maior que equivalentes de marketing tradicional. Ou seja, para cada real investido na campanha, as de Marketing de Conteúdo chegam a trazer cinco vezes mais retorno. Além disso, pesquisa da Forrester Research sugere que é possível vendar 50% a mais com custos 33% menores se existir previamente um bom relacionamento com o potencial cliente.

 

E o Inbound Marketing?

Em cima disso tudo, há ainda o Inbound Marketing, um conjunto de técnicas que ajudam a transformar os visitantes de seu conteúdo em clientes fiéis. Mas isso é para outro artigo, dedicado a esse tema. Até lá, assista à íntegra da minha palestra no Campus São Paulo do Google para saber mais sobre essas duas incríveis técnicas.

O que está esperando para embarcar no Marketing de Conteúdo? Você certamente tem muito a falar! E acredite: existe muita gente que quer ouvir você.


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Você consegue ignorar o que Facebook joga na sua cara?

Foto: Visualhunt / Creative Commons

Há alguns dias, o Facebook foi acusado de censurar conteúdos conservadores. Mais que uma cisma política, a gritaria daqueles produtores era pela queda na audiência que isso lhe causaria. Tudo porque as pessoas devoram, quase sem pensar, o que ganha destaque no seu feed de notícias ou nas suas listas. Mas o fato é ainda mais delicado que parece.

Ele reabriu o debate sobre a influência que o Facebook tem sobre seus 1,65 bilhão de usuários. Mas também expôs que, além dos seus algoritmos, a empresa teria um grupo de editores com poder de censura (o que a empresa nega), o que seria gravíssimo, por conta desse poder. Além disso, escancarou a dependência que os veículos de comunicação têm da rede, que se transformou no maior distribuidor de jornalismo do mundo.


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O Facebook afirma que sua missão é “fazer do mundo um lugar mais aberto e conectado”. Apesar disso, de aberto, ele tem muito pouco: ninguém sabe exatamente quais seus critérios para destacar algo na infinidade de conteúdos publicados nele por pessoas e por empresas.

Agora considere que, segundo o respeitado Pew Research Center, 63% dos usuários do Facebook e do Twitter leem notícias nessas redes. Mas onde mais importa –nos smartphones– o Facebook é, de longe, quem mais manda pessoas para os sites dos veículos de comunicação. E o instituto ainda diz que quanto mais as pessoas ficam no Facebook, mais notícias elas consomem.

Como os veículos perderam sua capacidade de sedução, cada vez mais eles dependem das redes sociais para atingir o público que um dia já foi seu. Por isso, fazem tudo o que o Facebook manda. Parece até que o algoritmo ficou mais importante que seus próprios clientes.

É aí que mora o perigo!

 

Escrevendo para o sistema

Quantas vezes você não clicou em um post no Facebook e caiu em uma página que tratava muito pouco daquele assunto?  Ou viu algo que propunha um mistério “irresistível” para você clicar e descobrir o que era? Ou ainda teve a impressão de que um veículo “sério” parecia ter muito mais notícias “divertidas” nas suas publicações no Facebook que no próprio site? Bem, você não está sozinho nesses sentimentos: essas práticas são “caça-cliques”.

No final das contas, o que vemos são os veículos não mais promovendo aquilo que importa para a sociedade, mas o que é mais adequado ao algoritmo ou o que cria mais apelo à audiência fácil, em um novo “sensacionalismo de rede social”. Fazendo isso, os veículos abalam ainda mais a sua já bastante corroída credibilidade junto ao público, jogando na lata do lixo a sua nobre função de, além de informar, formar o cidadão.

O Facebook já percebeu que está com a faca e o queijo na mão, e não está disposto a perder a oportunidade de reforçar ainda mais a sua posição de “maior banca de jornal do mundo”. E, até agora, seus esforços estão dando ótimos resultados, fazendo até a Apple comer poeira, com seu malfadado serviço Apple News não conseguindo decolar.

Além de algoritmos que dão cada vez mais aquilo que o leitor quer saber, a rede social vem lançando alguns recursos para amarrar ainda mais os veículos, como a capacidade de as pessoas obterem notícias a partir do Messenger ou os Artigos Instantâneos, que carregam reportagens e artigos muito rapidamente, desde que não se saia do próprio Facebook.

Os veículos de comunicação, por não conseguir mais falar ao coração do seu público, abraçam tudo isso, como tábuas de salvação. Ótimo para o Facebook: cada vez mais as pessoas consomem noticiário dentro da sua plataforma. Péssimo para quem produz esse material: pesquisa da Digital Content Next indica que, nas redes sociais, 43% das pessoas já não sabem quem produz o que consomem.

E assim a rede de Mark Zuckerberg dita mais e mais o que cada um de nós deve ler.

 

Moldando mentes

Apesar de toda essa relevância na indústria da notícia, o Facebook não é um veículo de comunicação. Dessa forma, seu objetivo é tão somente fazer com que as pessoas naveguem mais pelos seus produtos. Ele não tem a função social que os veículos têm (ou deveriam ter) de informar e formar.

Se o seu algoritmo tenta entregar apenas aquilo que a pessoa quer ver, eliminando o que lhe desagrada (mesmo aquilo que ela precisa saber), e os veículos de comunicação ficam fazendo o “joguinho” do Facebook, o resultado a médio prazo é uma população desinformada, desengajada e socialmente deformada. É a combinação do pior de dois mundos.

E quando se fala disso, não há como não mencionar o estudo que Adam Kramer, pesquisador do Facebook, realizou em 2012, demonstrando que é possível “transferir estados emocionais” a pessoas simplesmente manipulando o que elas veem online. No experimento, os feeds de notícias de 689.003 usuários (1 a cada 2.500 na época) foram manipulados pelo sistema por uma semana. Metade deles ficou sem receber posts negativos; a outra metade não viu nada positivo.

Análises automatizadas comprovaram que usuários expostos a posts neutros ou positivos tendiam a fazer posts mais positivos, enquanto os expostos a posts neutros ou negativos tendiam a fazer posts mais negativos! Trocando em miúdos, Kramer atuou decisivamente no humor de quase 700 mil pessoas deliberadamente manipulando seus feeds de notícias. O paper foi publicado na prestigiosa “Proceedings of the National Academy of Sciences of USA”. Vale lembrar que o mesmo Kramer, em outra ocasião, já tinha aumentado o comparecimento dos americanos às urnas, também manipulando seus feeds. Isso em um país em que não é obrigatório votar.

No final das contas, o que temos aqui é um poderosíssimo algoritmo capaz de embrutecer e manipular a população (apesar de o Facebook negar que faça isso) e uma mídia fragilizada, que fica dançando a música da rede social em troca de migalhas de atenção. Então, se a empresa realmente tiver editores censurando conteúdos específicos, como foi dito, isso seria o menor dos problemas.

Não temos como exigir que o Facebook encampe os valores de cada sociedade e passe a fazer o trabalho no qual os veículos de comunicação têm fracassado miseravelmente, pois ele não é um deles. Mas podemos pelo menos tentar fazer com que as pessoas usem a rede social de uma maneira mais consciente e criativa.

Para isso, debates em torno de assuntos como esse são fundamentais para a conscientização de todos! Ninguém precisa parar de usar o Facebook: é só não ceder ao prazer imediato e fugaz de conteúdos rasos, e sair clicando, curtindo e compartilhando tudo o que o Facebook joga na sua cara. E desconfiar sempre! Nessas horas, ignorar pode ser a ação mais efetiva.


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Por que os taxistas nunca vencerão o Uber (e o que você pode tirar disso)

Taxistas protestam contra a regulamentação do Uber em São Paulo – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Taxistas protestam contra a regulamentação do Uber em São Paulo

No dia 11, o prefeito Fernando Haddad regulamentou os aplicativos de transporte, como o Uber, em São Paulo. Isso desencadeou uma nova onda de protestos violentos dos taxistas, que acusam a empresa de concorrência desleal. Mas é uma luta que eles jamais vencerão, pois o Uber redefiniu o transporte de pessoas, “commoditizando” o serviço dos taxistas. E esse é um fenômeno social e econômico que pode atingir qualquer negócio ou categoria profissional.

Mas o que é essa “commoditização” de produtos e serviços? Isso acontece quando novas empresas, novas tecnologias ou novos modelos de negócios começam a oferecer a mesma coisa de maneira inovadora, acrescentando uma camada inédita de valor sobre algo que já existe. Nesse processo, o produto ou o serviço original continua lá e até pode ser essencial no novo formato, mas o público deixa de ver valor naquilo, passando a pagar apenas pela novidade.


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É o que o Uber fez com os táxis. Trocando em miúdos, os passageiros passaram a querer mais que o simples transporte em quaisquer condições, oferecido pelos taxistas. Para esses consumidores, o verdadeiro valor é ter esse serviço em um carro novo, limpo e confortável, com um motorista educado, treinado e bem vestido, com serviço de bordo. É por tudo isso que cada vez mais pessoas estão dispostas a pagar. E é isso que o Uber oferece, e os taxistas não conseguem –ou não querem– entender e fazer.

É claro que o que os taxistas e o Uber vendem é transporte de passageiros. Mas o Uber tirou o valor disso, que virou apenas o básico, aquilo que o público nem vê, por mais que seja a essência do serviço: foi “commoditizado”. O valor foi transferido para a camada de serviços extra.

O que os taxistas oferecem não vale mais. É por isso que não vencerão o Uber.

 

“Commoditizando” tudo

Mas isso pode afetar qualquer um, inclusive você, seja lá o que você faça. Isso porque, quando menos se espera, alguém pode chegar oferecendo a mesma coisa, só que de uma maneira que faça mais sentido para o seu público.

Qualquer jornalista já sentiu isso na pele. Com a popularização das redes sociais e a explosão de oferta de conteúdo de qualquer tipo, muitos colegas chegam a achar que a profissão encontrou o seu fim, com uma massa enorme e crescente de desempregados. Eles não estão sozinhos: veículos de comunicação tradicionais quebram um após o outro no mundo todo, incapazes de fazer frente à fuga de público e de anunciantes.

Assim como os taxistas, esses profissionais e essas empresas ficam em um “mimimi” eterno, reclamando que são eles que sabem fazer esse trabalho direito, que são eles que produzem o conteúdo de qualidade, e que isso custa muito caro! E que não é justo que novos veículos digitais cheguem e acabem com o seu monopólio da notícia, que durava mais de um século.

Oras, mas esses novos veículos, como a Vice, vão muito bem, e o que eles oferecem, na base, é conteúdo jornalístico. Mas eles tiveram sucesso em criar aquela “camada de valor extra”. Ou seja, o conteúdo jornalístico está mesmo “commoditizado”, mas ele serve para viabilizar esses novos títulos e profissionais.

Outro exemplo que gosto muito de citar é o da indústria fonográfica. Há uns 20 anos, ela era bilionária, com lucros calcados principalmente sobre a venda de CDs. Surgiram então os serviços de compartilhamento de MP3, como o Napster, que mostraram ao público que aquele modelo da indústria já havia caducado. Eventualmente isso acabou perdendo força, com as gravadoras processando os serviços e até seus clientes (o que demonstra como estavam dissociadas desse novo mundo).

Mas então a Apple lançou o iTunes, oferecendo a possibilidade de compra digital de cada faixa por uma fração do valor do álbum, e jogou a pá de cal no modelo de negócios de CDs. Só que esse modelo também já está perdendo força, sendo substituído pelo do Spotify, onde se paga um valor fixo por mês e se consome à vontade do seu gigantesco acervo de músicas online.

A música foi “commoditizada”: sorte do Spotify! Azar dos vendedores de CDs…

Agora pense com carinho: o seu produto ou serviço já está sendo “commoditizado” por alguém ou isso ainda vai acontecer?

 

Como escapar da “commoditização”

A Apple também poderia ficar rangendo os dentes, como as gravadoras, os jornais, revistas ou os taxistas. Mas, ao invés disso, ela reinventou seu serviço! O iTunes ainda existe, mas a empresa já lançou a Apple Music, exatamente nos mesmos moldes do Spotify. Porque, como diz o filósofo, “quem fica parado é poste!”

Esse deveria ser o mantra de todos os gestores, de qualquer negócio. Mais cedo ou mais tarde, isso que eles fazem tão bem e que parece essencial à sociedade perderá o valor. Se continuarem insistindo, serão substituídos por alguém com uma visão mais moderna dos negócios e do mundo.

Então voltemos ao caso dos taxistas, para entender como sobreviver à “commoditização”.

Não é o Uber que ameaça os taxistas, e por vários motivos. Primeiramente porque existe espaço para todos. Como a Prefeitura de São Paulo não emite novos alvarás para táxis comuns desde 1996, há um déficit estimado de 20 mil carros para transporte particular na cidade. O Uber pode triplicar a sua frota atual em São Paulo, que isso mal fará cócegas nessa demanda reprimida.

No final das contas, a verdadeira ameaça aos taxistas são o seu sindicato, a máfia dos alvarás e os próprios taxistas! O primeiro porque promove o ódio entre os motoristas e incentiva essa baderna que temos visto nas cidades. O resultado disso é um sentimento de rejeição ao serviço de táxi como um todo entre a população, seja pelos recorrentes transtornos causados por aquela parcela dos motoristas, seja pela repulsa à violência injustificável que alguns criminosos praticam contra motoristas e até passageiros do Uber.

Sobre a máfia dos alvarás (que chega a cobrar R$ 150 mil por algo que é uma concessão municipal), ela é uma facção do crime organizado que lesa a população e o poder público por manipular essas autorizações para obter lucros milionários. Os próprios taxistas são os principais prejudicados por esses bandidos, pois, para que consigam trabalhar, precisam comprar ou alugar essa licença, pagando valores astronômicos.

Portanto, se os taxistas realmente quiserem sobreviver à “commoditização”, não deveriam se organizar contra Uber, muito menos do jeito que estão fazendo. A solução dos seus problemas passa por ficar livres justamente desse sindicato, que os manipula, e dessa máfia, que os explora ao extremo. Os dois são dignos representantes do pior que existe na sociedade brasileira. Além disso, os taxistas precisam repensar o seu serviço: se o que eles oferecem não é mais o que as pessoas estão dispostas a pagar, é hora de se reinventar. E o Uber, ao invés de algoz, pode ser o modelo a ser seguido.

Não há como resistir à evolução do mercado. Ranger os dentes, distribuir pancada ou desqualificar novos concorrentes não resolverá o problema de nenhum negócio. A única solução é melhorar: ficar parado é o mesmo que piorar.


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Robôs podem ajudar no combate à “coisificação” dos empregos

Cena do filme “A Invenção de Hugo Cabret” – Foto: divulgação

Cena do filme “A Invenção de Hugo Cabret”

Pouca gente sabe, mas já há algum tempo robôs escrevem parte do noticiário que consumimos. Mas longe de ser uma ameaça aos jornalistas, esse fenômeno pode ajudar a combater o desemprego, trazendo alguma luz sobre o processo de “coisificação” dos trabalhos de qualquer categoria profissional.

Esses jornalistas-robôs não são máquinas humanoides, e sim programas de computador conectados a bancos de dados de diferentes tipos. Eles procuram permanentemente por determinadas informações e, quando as encontram, produzem textos em uma fração de segundo, com uma qualidade que virtualmente impossibilita diferenciar um texto de um desses robôs de um escrito por uma pessoa.


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Mas os robôs não são capazes de escrever qualquer texto (pelo menos ainda não). Eles são muito eficientes na produção de material fortemente baseado em números, como resultados financeiros ou placares esportivos. Os programas não têm inteligência artificial para artigos que exijam abstração, mesmo a partir daqueles mesmo dados. Não conseguem, por exemplo, escrever um texto como este que você está lendo agora.

Robôs não ameaçam, portanto, os empregos dos jornalistas. Na verdade, eles podem lhes tirar o fardo de matérias enfadonhas, para que possam produzir reportagens e artigos de alto valor intelectual.

Infelizmente, quem ameaça esses empregos são os próprios jornalistas e as empresas de comunicação.

Neste momento de crise aguda da imprensa tradicional, os jornalistas mais experientes (e caros) são demitidos por economia. Sobram os novatos, que, além de não ter os necessários calos da profissão, acabam sobrecarregados de tarefas, e topando tudo para não perder o emprego.

O resultado previsível são textos com pouquíssimo esforço de reportagem e quase nenhum requinte intelectual. Esses profissionais ficam esmagados entre denuncismo e jornalismo palaciano de um lado e números do outro, e pressionados pelo volume de produção pelos veículos. Ou seja, os textos que produzem ficam tão limitados quanto os dos robôs, e talvez menos precisos.

Então não precisamos mais de jornalistas?

 

O valor do conhecimento

Jornalistas não estão sozinhos diante desse drama: profissionais de muitas áreas começam a sofrer concorrência de sistemas automatizados. Mas novamente aqui eles não são as reais ameaças aos seus empregos. O verdadeiro risco está na “coisificação” de seus trabalhos.

Assim como na imprensa, empresas de todos os setores passam por momentos dramáticos por conta da crise que assola nosso país. Nessas horas, demitem os funcionários mais caros, extinguem funções e cortam investimentos. Sobram os peões e a mão de obra absolutamente essencial. O objetivo: manter a fornalha acesa com o mínimo de carvão, na esperança de que o fogo não se apague até que dias melhores cheguem.

Em outras palavras, elimina-se a inovação, a iniciativa e o desejo de correr riscos. Fica-se quietinho para que ninguém perceba sua presença, torcendo para que as coisas se acertem por si só. É o típico manual do empresário amedrontado pela crise.

Esse é, entretanto, o melhor caminho para se dar mal. O guru da administração Tom Peters costuma dizer que “o fracasso é uma medalha de honra”, pois ele demonstra que se tentou. E conclui: a única maneira de não fracassar em algo é não tentar. Mas essa também é a garantia de que não se atingirá o sucesso em nada.

Quase posso ouvir agora alguns rindo nervosamente, enquanto leem esse texto e pensam: “falar é fácil”. Pois eu digo que fácil é se acomodar na toca, torcendo para que a tempestade passe logo. Se tiverem a sorte de estarem vivos quando isso acontecer, sairão dela enfraquecidos diante daqueles que aproveitaram a tormenta para reforçar criativamente suas estruturas.

Ao invés de se acovardar em seus buracos, empresas, profissionais, associações devem se unir para justamente encontrar fórmulas para fomentar a inovação e a iniciativa. Não estou dizendo para apostarem todas as fichas em uma única ideia, especialmente se não houver muitas sobre a mesa. Mas, mesmo em tempos bicudos, deve-se correr riscos por aquilo que vale a pena. E isso funciona para profissionais e para empresas.

Precisamos, portanto, de jornalista e de profissionais de todas as áreas. Especialmente dos bons e experientes o suficiente para ter sucesso correndo riscos! A alternativa é ficar lá na toca, com os dedos cruzados e produzindo coisas medíocres. Mas nesse caso, quando a crise passar, talvez encontrem mais robôs que profissionais trabalhando.


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Como não ficar obsoleto quando alguém fizer o seu trabalho

Foto: Saad Sarfraz Sheikh/Creative Commons

Na semana passada, em uma aula sobre marketing de conteúdo, discutia com meus alunos sobre como empresas têm produzido conteúdo sério e de alta qualidade para atrair público para suas marcas. Surgiu então a questão: o que sobra para a imprensa? O fato é que essa pergunta pode ser extrapolada para qualquer negócio: o que sobra para você quando outro começa a fazer o seu trabalho?

Em tempos em que a tecnologia digital democratiza todo tipo de meio de produção e que a economia compartilhada subverte modelos de negócios consagrados, isso assombra o cotidiano de muitos profissionais e de muitas empresas. Será que estão ficando obsoletos?


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A má notícia: sim, você já pode estar obsoleto. A boa notícia: você ainda pode virar esse jogo!

Para quem não sabe o que é, marketing de conteúdo é uma maneira relativamente nova de as empresas trazerem potenciais consumidores para suas marcas, atraídos por ótimo conteúdo editorial. Não se trata de material sobre a empresa e seus produtos, e sim reportagens e artigos sobre temas de interesse dos clientes. Portanto, ao invés de ficar empurrando os produtos para o público, como se faz no marketing convencional, o marketing de conteúdo inverte esse sentido: as pessoas vêm até a marca e eventualmente podem passar a considerá-la uma referência no tema abordado. Idealmente, acabam se tornando clientes de seus produtos. Nestlé e Red Bull são referência em marketing de conteúdo, por exemplo.

Naturalmente as empresas não cobrem todo tipo de conteúdo. A Red Bull tem uma cobertura muito boa de esportes radicais, automobilismo, games e música. E –sim– nesses assuntos ela substitui veículos de comunicação. Some-se a isso a crise de credibilidade pela qual a imprensa tradicional está passando, e a sua situação fica realmente muito delicada.

Mas os veículos de comunicação são só um exemplo de negócio que está sofrendo com novos galos cantando em seu terreiro. Já discutimos aqui o caso do Uber, que está fazendo os táxis comerem poeira na preferência dos passageiros. Também debatemos, em diferentes momentos, sobre a Netflix, e como ela se posicionou como uma alternativa muito vantajosa à TV aberta e até à TV por assinatura.

Novos negócios sempre substituíram velhos negócios. Porém isso vem acontecendo de uma maneira inédita, seja pela velocidade exponencial, seja porque indivíduos que eram antigos clientes passam a ser concorrentes de empresas centenárias da noite para o dia. Aquilo que levou anos e consumiu fortunas para ser construído pode ser substituído por alguém com uma mente aberta para os negócios, muita vontade de trabalhar, inteligência e, quem sabe, o aplicativo certo em seu smartphone.

Como sobreviver a isso?

 

Descobrindo onde está o valor

Negócios consolidados e bem-sucedidos não perdem seu valor de repente. Entretanto, se estar em uma posição de liderança de mercado pode ser bom para os negócios, pode esconder um terrível risco de miopia empresarial: não ver as mudanças se aproximando rapidamente.

Voltemos ao exemplo do Uber: não é difícil encontrar clientes reclamando de péssimos serviços prestados por muitos taxistas. Mas as pessoas continuavam usando os táxis por falta de alternativa. No caso das TVs por assinatura, seus clientes sempre reclamaram do alto preço da mensalidade, da baixa qualidade da programação, do excesso de comerciais e de terem que engolir uma infinidade de canais irrelevantes para poder assinar qualquer pacote.

Nos dois casos, os sinais de descontentamento eram públicos e claríssimos! Bastava apenas alguém aparecer com uma solução melhor para tornar aqueles negócios candidatos à extinção.

Alguém apareceu!

Mas nem os táxis, nem a TV por assinatura, nem a imprensa, nem qualquer outro negócio ameaçado precisa morrer. Desde que redescubram onde seus antigos clientes estão vendo valor hoje. E mudar o seu negócio para atender essa nova demanda.

Os taxistas, por exemplo, são incapazes de derrotar o Uber hoje porque insistem em continuar disputando os passageiros com aquilo que eles sempre fizeram: o transporte de passageiros. Os taxistas acham que é isso que o Uber oferece. Só que ele transformou o transporte de passageiros em uma commodity! Os clientes veem valor hoje em serem levados em um carro novo e limpo, com um motorista educado e de bom papo, com serviço de bordo e a um valor justo (que incrivelmente chega a ser mais barato que o dos táxis). Obviamente, por baixo disso tudo, está o transporte, que viabiliza o negócio, mas de onde o valor foi retirado pelos clientes. Quem continuar competindo nessa camada inferior estará fora do mercado em breve.

Esse é o raciocínio que deve permear a cabeça dos gestores de qualquer negócio moderno! De nada adianta continuar fazendo o que se faz há décadas, se alguém estiver fazendo a mesma coisa tão bem quanto (ou melhor) que você, e de uma maneira mais inteligente. Pior que isso: talvez o seu negócio esteja até sendo oferecido de graça por outras empresas que o tenham como um subproduto de sua atividade principal, ou apenas como parte de um modelo de negócios mais amplo. É o caso do marketing de conteúdo.

Pare de se achar o senhor da razão ou detentor de algum direito adquirido! Preste atenção aos movimentos do mercado, seus novos concorrentes, o que e como oferecem e, principalmente, ouça detalhadamente o que o público tem a dizer.

A única coisa que não pode acontecer é querer continuar fazendo tudo do mesmo jeito e esperar que as pessoas continuem pagando por seu produto ou serviço por causa dos seus lindos olhos (ou sua tradição, sua marca consagrada). A fidelidade morreu! É preciso dar um novo significado ao seu negócio e reencontrar seu público. Caso contrário, ele rumará melancolicamente ao seu fim, à sua obsolescência.


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O papel da Imprensa e da Justiça na crise brasileira

Dilma conversa com Lula em cerimônia em que ele foi empossado como ministro-chefe da Casa Civil, no dia 17 de março - Foto: José Cruz/Agência Brasil

Dilma conversa com Lula em cerimônia em que ele foi empossado como ministro-chefe da Casa Civil, no dia 17 de março

Nos últimos dias, especialmente depois que as conversas telefônicas de Lula vieram a público, tenho visto uma enorme gritaria contra a Imprensa e contra o Judiciário. O que mais me assusta é perceber que as críticas vêm escoradas em uma ideologia maniqueísta que tenta transformar verdades escancaradas em versões pueris e reduzir aqueles que defendem a sociedade a simples “golpistas”.

Este artigo não tem objetivos partidários e não defenderei nenhum dos lados. Tampouco negarei que existem excessos de apoiadores e de críticos ao governo. A proposta é analisar desdobramentos que levaram o Brasil a uma polarização ideológica inédita e a uma movimentação política que não era vista desde os fatos que culminaram na renúncia de Collor, em 1992.


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A matéria-prima da Imprensa são os fatos, a verdade; do Judiciário, as leis, a justiça. Dentro desses limites, não podem ser condenados pelo resultado de seu trabalho incomodar alguém, especialmente porque, por definição, sempre incomodam.

No caso do Judiciário, a maior parte das reclamações recai sobre o juiz Sérgio Moro, por ter exposto repetidamente o Governo Federal e membros dos partidos da base governista na operação Lava Jato. Os críticos acusam o juiz de abuso de sua autoridade, por supostamente cercear direitos dos acusados e exagerar nos pedidos de prisão preventiva para obter delações premiadas.

O caso que jogou um tambor de gasolina em uma fogueira, que já estava bastante grande, foi a liberação, no dia 16 de março, de escutas em telefones usados por Lula, nas quais ele conversa com diferentes autoridades, inclusive a presidente Dilma Rousseff.

Como todos devem estar carecas de saber depois de uma semana de noticiário, os dois lados procuram se apoiar em leis para defender ou acusar Moro. Mas evidentemente não há nenhum “golpe” em curso pela Justiça, como muitos, até mesmo a própria presidente da República, insistem em dizer.

Moro está fazendo seu trabalho de juiz. Não é nenhum estagiário e está jogando o jogo com as peças que tem. Seus movimentos são, de fato, muito mais ousados que o que se costuma ver no Brasil. Mas seu baralho não tem cinco ases. Se ultrapassou os limites, a própria Justiça se encarregará de puni-lo. Por outro lado, se ele estiver dentro das regras, expondo ações criminosas de quem for, presta um inestimável serviço ao país. A gritaria dos descontentes não é, portanto, nada além de gritaria.

Mas ainda tem o “Partido da Imprensa Golpista”.

 

Imprensa preservando segredos?

No caso da Imprensa, vemos em diferentes veículos, tanto apoiadores quanto detratores do governo, a distorção da realidade para fazer valer seus pontos de vista. Qualquer título pode (e deve) ter seu alinhamento político, mas nunca, jamais pode faltar com a verdade e a pluralidade para valorizar o seu lado. Mas não vou dar audiência para essa turma que faz antijornalismo. Eu simplesmente não leio mais essas páginas da “direita” ou da “esquerda”. O que quero discutir aqui é a tentativa do governo de desqualificar o trabalho da Imprensa séria. E ele existe em profusão.

O principal argumento da turma do contra é dizer que ela se presta a publicar “vazamentos seletivos” e apenas notícias contra o governo. Eu nunca vi argumentos mais estúpidos e oportunistas, criados para confundir a população.

A fantasia de qualquer governo é ter uma Imprensa dócil, que lhe apoie incondicionalmente. Mas, se ela fizesse isso, não seria Imprensa: seria relações públicas. E o governo, por si só, já tem mecanismos mais que suficientes para se promover, como as mais gordas verbas de publicidade do país e a força da própria máquina governamental.

A Imprensa vem veiculando coisas boas e coisas ruins de governos federal, estaduais e municipais, suficientes até para municiar as diferentes oposições de cada um, que usam material dos veículos de comunicação em seus dossiês e em posts raivosos nas redes sociais.

Alguns podem dizer que agora só se fala nos escândalos que jogam Lula, Dilma e seu governo na lama. Acontece que a quantidade de notícias sobre esse tema, que tem a mais alta relevância jornalística, parece não ter fim. E isso nos leva aos tais “vazamentos seletivos”.

A Imprensa séria não faz, nem publica “vazamentos”. Ela publica reportagens, com verdades apuradas. A turma da gritaria, incluindo a presidente da República, vocifera ao dizer que ela jamais poderia divulgar informações sigilosas, pois isso seria ilegal. Mas a função da Imprensa não é guardar segredos: é revelá-los! Quem tem que guardar segredos são os responsáveis por tais informações. Se elas foram “vazadas”, por incompetência ou de propósito, a função da Imprensa é apurar a verdade, ampliá-la com informações adicionais e publicar tudo com o maior destaque possível. E isso tem acontecido.

Alguns podem dizer que a Imprensa é irresponsável ao divulgar isso tudo, pois estaria criando uma gigantesca instabilidade política. Mas não é ela que está jogando o país no caos. Não são sequer as pessoas que fazem os vazamentos. Os responsáveis pela crise são aqueles que cometeram os crimes, que agora estão sendo desmascarados.

As fontes dos tais vazamentos são sempre pessoas imaculadas, livres de interesses pessoais, pensando apenas no país? Claro que não! Na verdade, o padrão é que seja o contrário disso. Como esquecer de Pedro Collor, que jogou o próprio irmão-presidente na fogueira, motivado por ciúmes? É por isso que os vazamentos nunca podem ser a única fonte da Imprensa, mas são ótimos pontos de partida para as reportagens.

Por isso, quem afirma que ela é golpista não sabe o que é Imprensa, não sabe o que é golpe ou é mal-intencionado. Ilegalidades do Judiciário ou da Imprensa devem ser coibidos. Qualquer outra atitude ousada e que mostre a verdade, deve ser aplaudida.

Nesse cenário, o governo enche a boca para bradar que nossa democracia é plena e madura, por isso temos tantas investigações em curso, inclusive dos próprios governantes. Isso é uma meia-verdade. Esse argumento funciona para quem cresceu sob a truculência militar, com a polícia atirando e jogando a cavalaria sobre manifestantes, para quem aprendeu que um país é “mais estável” quando tem sua Imprensa e seu Judiciário amordaçados e acovardados.

Temos uma cultura construída em cima de 516 anos de rapinagem da nação por aqueles que estão no poder. Nossa democracia é, na verdade, jovem, imperfeita e frágil. Estamos no caminho certo para que ela amadureça de fato, mas isso só será possível com o Judiciário e a Imprensa desempenhando livremente os seus papeis. Assim, qualquer tentativa de impedir isso é uma manobra para debilitar a democracia. E é o que não pode ser tolerado.


 

 

Como o Uber pode ensinar jornais -e qualquer negócio- a prosperar

Foto: divulgação

Desde que discuti aqui a polêmica dos sites que dispensam usuários que têm ad blockers, me perguntam se o conteúdo afinal não tem mais valor. Resposta: não como as empresas de comunicação trabalham há 150 anos! Mas ele é fundamental para o negócio. E quem pode explicar isso é o Uber. Aliás, pode indicar o caminho para qualquer empresa de serviços na nova economia.

Mas o que o Uber tem a ver com um jornal? Ou o varejo, uma escola, um profissional liberal? Acontece que, na realidade que começamos a viver, não basta ser bom no que se faz: além disso, é preciso entregar o serviço e o produto que o consumidor quiser de uma maneira que lhe faça sentido. Aí reside o novo valor, aquele que as pessoas percebem e pelo qual estão dispostas a pagar! Todo o resto é commodity.


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Não é um conceito simples de entender, muito menos de aceitar. Mas ele está aí, subvertendo modelos de negócios consolidados há muitas décadas! No caso do Uber, a commodity é o transporte de passageiros. O que diferencia o Uber de um taxista convencional é que o primeiro vende a sensação do prazer de solicitar um motorista, com a garantia de que virá em um carro confortável, novo e limpo, com cortesia, boa conversa e um serviço de bordo superior. Embaixo disso tudo, está o transporte do passageiro, que evidentemente é o alicerce de todo o serviço, mas que não é mais pelo que as pessoas estão pagando. É por isso (e pelos recorrentes casos de agressão a motoristas e passageiros do Uber) que os taxistas estão perdendo a preferência do consumidor: eles querem continuar concorrendo nessa camada inferior do serviço, onde o valor, o diferencial vem sendo retirado pelos seus clientes. Não há como ganhar, exceto pela criação de leis retrógradas ou pela agressão física.

Consideremos o varejo: os produtos oferecidos e a própria venda são a commodity. Já há muitos anos –e isso vem sendo agravado pelo crescimento do e-commerce– o varejo (especialmente o grande varejo) vive uma situação dramática de uma dificuldade crescente de se diferenciar da concorrência. Afinal, todos eles fazem basicamente a mesma coisa, do mesmo jeito. Então todos partem para práticas autofágicas de baixar os preços e investir pesadamente em publicidade, queimando sua margem até o limite da irresponsabilidade. São recursos legítimos, claro! Mas o problema surge quando essas são as únicas ferramentas disponíveis, por sinal igualmente para todos.

Mas vejam os casos das startups Carrinho em Casa e Rabixo. Ambos são varejistas, mas que colocam uma camada extra de serviço acima da venda dos produtos em si. Perceberam que há pessoas sem tempo de fazer suas próprias compras (ou que não gostam ou simplesmente não querem) e criaram bons negócios resolvendo esse problema. São pequenas empresas, mas o conceito também vale para corporações gigantes, como a Amazon demonstra o tempo todo.

Voltando ao caso dos veículos de comunicação, a commodity é o conteúdo, mesmo que seja um excelente conteúdo! Se você, leitor, for um jornalista, pode estar com o cabelo em pé agora. Mas acredite: não é motivo para desespero! É apenas um alerta para mudanças que são inevitavelmente necessárias.

As pessoas sempre terão a necessidade de se informar. Em tempos pré-Internet, isso exigia ler jornais, revistas ou assistir ao noticiário na TV ou no rádio. Havia ainda um consenso de que, se quisesse ficar realmente bem informado, era necessário assinar pelo menos um jornal ou uma revista. E as pessoas pagavam por isso. Entretanto faziam isso por absoluta falta de alternativa! E as empresas de comunicação cresceram com a ideia de que o que elas vendiam era informação.

Ledo engano!

Claro que o conteúdo é importante: sem ele simplesmente não existiria a empresa de comunicação. Mas pelo que as pessoas estavam realmente pagando era a edição desse material, sua organização em páginas, impressão e entrega. E os veículos prosperaram assim, enquanto eram as únicas opções disponíveis!

Mas hoje todo mundo produz conteúdo, incluindo empresas que não tem nada a ver com isso (eu ouvi Red Bull?). Há conteúdo de alta qualidade de montão na Internet, e de graça! É commodity! Isso quer dizer que fica cada vez mais difícil ganhar dinheiro vendendo conteúdo.

Mas dá para ganhar muito dinheiro GRAÇAS ao conteúdo.

 

É como música aos ouvidos

Assim como o transporte de passageiros para o Uber, o conteúdo é algo essencial para viabilizar um negócio, mas não é O negócio. Algumas empresas de comunicação, como Vice e Catraca Livre, já sacaram isso, e, apesar da natureza do seu produto, aprenderam a ganhar dinheiro de outras maneiras. O papel do conteúdo ali é aumentar a sua reputação e a sua popularidade, viabilizando os outros negócios, onde está o dinheiro.

Nesse sentido, o jornalismo vai muito bem! Quem vai mal são as empresas e os profissionais que continuam querendo ganhar dinheiro apenas vendendo a notícia.

O conteúdo jornalístico não é o único que passou por esse choque de realidade. Muito mais emblemático foi a derrocada da indústria fonográfica no modelo de venda de música em CDs. Venceram parcialmente a primeira batalha, a dos usuários trocando as músicas no formato MP3. Mas foram destruídos quando a Apple lançou o iTunes, que começou a vender as músicas individualmente a US$ 0,99, de uma maneira cômoda, segura e de alta qualidade. Quem continuaria comprando CDs diante disso?

A pá de cal veio com serviços como o Spotify e o Apple Music, que tornaram o iTunes obsoleto: por uma pequena assinatura mensal, dão acesso ilimitado a um acervo gigantesco, em qualquer lugar. Para o consumidor, é música aos ouvidos.

Nem todos os artistas acham isso bacana, especialmente as grandes estrelas. Argumentam que esses serviços lhes pagam apenas uma pequena fração do que eles ganhavam vendendo CDs. E isso é verdade!

Mas eles não vendem mais CDs.

A música também virou commodity. Esses serviços não vieram para substituir os discos. São um espaço de divulgação e consolidação dos artistas. Se os medalhões ganham hoje muito menos, existe a contrapartida que artistas obscuros podem conhecer a fama de uma maneira que jamais aconteceria quando as gravadoras dominavam o processo. O sistema democraticamente dividiu os ganhos entre muito mais gente. E quem é famoso deve agora ganhar dinheiro de outro jeito, por exemplo fazendo shows.

 

Críticas ao modelo

Muita gente acha tudo isso um absurdo!

Há muitos críticos, por exemplo, ao Uber. Eles dizem que a empresa explora os motoristas, ganhando em cima deles, que são os donos dos carros e os únicos a correr riscos (inclusive de apanhar de taxistas raivosos). Seria, portanto, o capitalismo do pior tipo.

Esses críticos deveriam conversar com esses motoristas. Uso o serviço frequentemente e sempre faço isso. Seus trabalhos anteriores variam de engenheiros a motoristas de táxi. Até hoje não encontrei um que não estivesse satisfeito com o modelo. Nenhum deles me pareceu explorado; na verdade, a sensação mais comum era de gratidão. Afinal, sem isso, estariam desempregados.

Não quero parecer Poliana. Sei que o Uber já disse que, no futuro, espera ter uma frota de carros-robôs, sem motorista. Mas isso ainda vai demorar um bom tempo, pois os tais carros ainda estão em testes preliminares. Até lá, os motoristas continuarão felizes.

Os críticos afirmam que o Uber ganha dinheiro sem risco e “sem fazer nada”. Essa é uma afirmação maniqueísta e rasa, pois a empresa atua justamente na camada do negócio onde está o real valor, como descrito mais acima. Sem isso, o que nos restaria seriam os taxistas, e os motoristas do Uber talvez estivessem desempregados.

São como Elton John, que, em 2007, propôs o fim da Internet, pois ela estaria “destruindo a indústria musical e as relações interpessoais”. Na verdade, ele reclamava porque não estava mais vendendo tantos CDs.

Gosto muito das músicas dele, mas prefiro ouvi-las no Spotify. Por outro lado, irei feliz ao seu próximo show!

Desde que eu perceba valor naquilo.


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A nova moda da mídia é chutar usuários “rebeldes”

Arte sobre reprodução

Talvez você já tenha se deparado em alguns sites com uma inusitada mensagem ocupando toda a tela, para que desligue o seu “ad blocker” para que possa ver seus conteúdos. Essa é a mais nova moda de algumas publicações: se você não carregar os nossos banners, não é bem-vindo aqui. Vá se informar em outro lugar!


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Para quem não sabe o que são “bloqueadores de anúncios” (ou “ad blockers”), eles são pequenos programas que permitem que as páginas dos sites sejam carregadas sem exibir nenhuma publicidade. E não se trata de um truque meramente visual: os banners nem chegam a ser baixados, pois esses sistemas colocam os servidores de publicidade em uma lista negra.

Ao detectar esses programas, algumas publicações decidiram dar com porta na cara do usuário, como a Forbes e a Wired,. Nesse caso, o usuário tem três opções: desabilitar o sistema para que os banners sejam carregados, assinar a publicação ou ir embora. Outros sites não chegam a barrar o usuário, mas assim mesmo exibem uma mensagem pedindo que o bloqueador seja desativado ou faça uma assinatura.

Mensagens da Forbes (esquerda) e da Wired barrando seus usuários

Mensagens da Forbes (esquerda) e da Wired barrando seus usuários

Os ad blockers têm um efeito duplamente negativo. Evidentemente o usuário jamais clicará em um banner que ele não está vendo, reduzindo os ganhos do site. Mas a situação fica ainda pior porque, como as peças não são baixadas, os veículos não são remunerados sequer pelas simples exibições. Dessa forma, a audiência do site pode até crescer, mas seu inventário de publicidade encolhe.

Segundo levantamento do Instituto Verificador de Comunicação (IVC), algo em torno de 20% dos usuários têm algum tipo de ad blocker instalado, e 15% das páginas brasileiras têm anúncios bloqueados. Em alguns sites, o bloqueio ultrapassa 30%.

Bloquear publicidade não é algo novo. Nos anos 1960, começaram a surgir os primeiros controles remotos para as TVs, para que os telespectadores mudassem rapidamente de canal durante os comerciais. O ad blocker mais popular de todos é o Adblock Plus, com mais de 300 milhões de instalações. Mas o assunto ganhou notoriedade em setembro, quando a Apple liberou esse tipo de programa para iPhones e iPads. A repercussão se deve não apenas pelo que a empresa representa, mas porque o tráfego atual dos veículos de comunicação já acontece mais em dispositivos móveis que em computadores. E isso deve aumentar cada vez mais.

Isso disparou o alerta vermelho de muitos editores.

 

O lado do usuário

As publicações têm um argumento válido. Afinal de contas, se você estiver vendo os seus conteúdos, parece justo que sejam remuneradas, pelo menos pela publicidade. Desgraçadamente para essa turma, muitos usuários discordam desse argumento. E eles também têm um ponto de visto razoável.

Os sites dos veículos “perderam a mão” há bastante tempo, e vêm exagerando na publicidade em suas páginas, muitas delas extremamente invasivas, a ponto de prejudicar a experiência do usuário. Além disso, é muito comum que a maior parte das centenas de kbytes que compõem a página seja de anúncios. E, em tempos em que as empresas de telefonia ficam regulando cada kbyte trafegado, isso se torna inaceitável.

Assim, além de deixar as páginas menos “poluídas” visualmente, os ad blockers as carregam mais rapidamente, pois as peças publicitárias ficam de fora. Além disso, economiza-se no pacote de dados de Internet, fundamental para usuários de smartphones, cujas conexões são lentas e a franquia de dados é bastante limitada.

Nesse embate entre a monetização do serviço online e a experiência do usuário, a Apple decidiu ficar com o segundo.

E quem dirá que ela está errada?

 

Modelo falido

No centro dessa discussão, está o fato de que os veículos de comunicação insistem em modelos de negócios e de produção que não se alinham mais aos seus próprios usuários.

Entre vários outros erros, querer continuar vivendo da histórica dobradinha assinatura-publicidade está cada vez mais difícil. Os usuários, sim, pagam por conteúdo online, mas apenas quando a oferta lhes faz sentido, e os veículos não vêm conseguindo justificar isso. Por outro lado, a publicidade online nunca foi suficiente para fechar a conta.

Mas o que mais me assusta é como os executivos dessas empresas estão dissociados de seu público. Se o usuário chegou até o site, é porque ele viu algum valor naquilo, ainda que pontualmente. Tratem de ganhar dinheiro com ele de outra forma, e são várias disponíveis!

Uma audiência parruda implica que o produto é bom e, portanto, tem valor para seu público. Se é assim, fica muito mais fácil, por exemplo, conseguir patrocínios para viabilizar o veículo, um modelo que vem ganhando popularidade. Ou então criar outros produtos vinculados à publicação, no próprio site ou no formato de consultoria. Ou ainda, se essa equipe é tão boa, ela pode ser contratada para produzir conteúdo para outras empresas!

Esses são só alguns exemplos de como veículos modernos conseguem ser lucrativos na realidade atual. Eles perceberam que a audiência não é mais a fonte da receita, mas a justificativa para todas as outras receitas! Portanto, é perfeitamente viável oferecer conteúdo de graça, com pouco ou nenhum banner.

A única coisa que não dá é chutar o usuário para fora. Espero que essa moda não pegue, para o bem das próprias publicações.


 

Como o Facebook ficou “maior” que a Internet e como isso afeta você

Foto: Philippe Put/Visualhunt.com/Creative Commons

Não é novidade dizer que o Facebook é a maior rede social do mundo, com mais de 1,5 bilhão de usuários. Para muita gente, ele é maior que a própria Internet! Mas esse erro de análise não é inócuo: ele está causando impactos decisivos na vida de todos nós, e pouca gente parece perceber isso.


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Hoje pouco mais de 20% da população mundial acessa a rede de Mark Zuckerberg pelo menos uma vez por mês. Mas estudos feitos em países em desenvolvimento pela LIRNEasia e pela Geopoll indicam algo bizarro: pessoas estão afirmando que usam o Facebook mas NÃO usam a Internet, ignorando o fato de que o primeiro roda sobre a segunda, seja na Web, seja em um app no smartphone.

Até seria legítimo pensar que usuários do aplicativo do Facebook, por não precisarem de um navegador Web, vejam aquilo como algo apartado da Internet. Mas o fato é que, mesmo em países desenvolvidos, para muitos usuários, o Facebook parece ser tudo o que eles precisam de conteúdo online.

Bom, e daí? Como isso pode afetar você ou eu?

Acontece que isso é apenas um reflexo de como o Facebook se tornou um elemento central em nossas vidas. Ele é a página inicial do navegador de muita gente e é acessado nos smartphones onde estiverem, a qualquer momento. Aliás, é a coisa mais acessada no geral.

Entram em cena os algoritmos de relevância no feed de notícias.

Nem todo mundo sabe que o Facebook não mostra na página de abertura de cada usuário tudo que seus amigos e páginas que segue publicaram no dia: isso nem seria possível, dado o enorme volume de conteúdo. O sistema então seleciona aquilo que ele considera relevante para mostrar a cada um de nós.

E aí é que mora o perigo.

 

Dono da “verdade”

A escolha do que é exibido a cada usuário é um dos segredos mais bem guardados do Facebook. Claro que coisas como ser amigo de alguém e se relacionar bem com essa pessoa (coisas como clicar, curtir, comentar e compartilhar o que ela publica) têm enorme peso nessa decisão. Mas não é tudo: há um “molho secreto” temperando as zilhões de combinações possíveis.

O problema é que isso pode ser manipulado. E a própria empresa já admitiu ter feito isso pelo menos uma vez.

Em 2012, o pesquisador do Facebook Adam Kramer e sua equipe realizaram um estudo, demonstrando que é possível “transferir estados emocionais” a pessoas simplesmente manipulando o que elas veem online. Por análise semântica, os feeds de 689.003 usuários (1 a cada 2.500 na época) foram manipulados pelo sistema por uma semana. Metade deles ficou sem receber posts negativos; a outra metade não viu nada positivo.

O resultado foi assustador: análises automatizadas comprovaram que pessoas expostas a posts neutros ou positivos tendiam a fazer posts mais positivos, enquanto as expostas a posts neutros ou negativos tendiam a fazer posts mais negativos!

Ou seja, Kramer atuou decisivamente no humor de quase 700 mil pessoas deliberadamente manipulando seus feeds de notícias. O paper foi publicado na prestigiosa “Proceedings of the National Academy of Sciences of USA”. A despeito do resultado impressionante, ele admitiu que fez a pesquisa sem pedir autorização prévia das “cobaias”, o que é antiético. Na época, isso provocou uma enorme gritaria. O Facebook foi obrigado a vir a público pedir desculpas: “não queríamos magoar ninguém”, disse a porta-voz.

Mas eles quiseram, sim! Bom, pelo menos com metade da amostra.

 

O mundo inteiro cabe aqui

Apesar daquele deslize ético pontual, quero crer que os algoritmos do Facebook trabalham para realmente identificar conteúdos que sejam relevantes para cada um dos seus usuários. Isso porque o sucesso da empresa depende de as pessoas usarem mais e mais os seus produtos, e isso só acontecerá se eles se demonstrarem úteis a elas.

Assim, o Facebook precisa, de alguma forma, demonstrar comprometimento com os interesses das pessoas. O que não quer dizer que tenha que fazer o mesmo com as marcas que utilizam a plataforma para promover seus produtos e serviços.

O sucesso dessa empreitada pode ser medida por outro comportamento dos usuários: cada vez mais, eles consomem todo tipo de conteúdo dentro do próprio Facebook. A plataforma se transformou em uma gigantesca banca que promove de tudo. Ou seja, as pessoas começam a ver um mundo filtrado pelo algoritmo do feed de notícias.

É verdade que, desde sempre, nós vemos notícias filtradas. Antes dos algoritmos, esse trabalho era feito pelos jornalistas dos grandes veículos de comunicação. A vantagem é que, por essa curadoria ser feito por pessoas, ela evita destacar alguma grande barbaridade. A desvantagem é que todos recebem o mesmo “recorte” do mundo, independentemente de seus interesses pessoais. Os consumidores é que têm que se adequar à linha editorial dos veículos que escolherem.

Com todo o conteúdo sendo consumido “dentro” do Facebook –e isso é reforçado pelos “artigos instantâneos” e pelo comportamento de carregar páginas de qualquer fonte encapsulado no seu próprio aplicativo nos smartphones– quanto faltará para as pessoas deixarem de dizer, por exemplo, “vi na Folha” para começar a dizer “vi no Facebook”, mesmo para conteúdo da própria Folha?

Não cabe aqui apontar o dedo para o Facebook: ele está colhendo os resultados de seu trabalho bem feito. Não há dúvida que isso é ruim para os produtores de conteúdo, que veem suas marcas perdendo força. Mas eles estão exatamente na posição em que se puseram, por não conseguir se adaptar à nova realidade de seus públicos. Não lhes resta muito a fazer agora além de dançar as músicas do Facebook, do Google e da Apple, com suas plataformas de publicação hiperpopulares.

Fica a dúvida se isso é bom ou ruim para cada um de nós, usuários. Se os algoritmos forem “bonzinhos”, sorte nossa! Entretanto, ser capaz de se informar por fontes distintas e aprender a interpretar criticamente o que se consome deveria ser uma das competências mais importantes a ser ensinadas nas escolas, para a formação de um cidadão consciente. Pois é assustador imaginar uma empresa ditando o que 1,5 bilhão de pessoas devem ver, e todas elas consumindo isso cegamente.


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O que se aprende com a entrevista de um megatraficante a um ator

Sean Penn (à esquerda) aperta a mão de “El Chapo” durante a entrevista - Foto: reprodução

Sean Penn (à esquerda) aperta a mão de “El Chapo” durante a entrevista

A recente entrevista de Sean Penn com o megatraficante “El Chapo” causou enorme gritaria no meio jornalístico, por subverter muitas regras do ofício. Mas qualquer pessoa pode aprender algo com o episódio.

Para quem não sabe do que se trata, a edição do dia 9 da revista RollingStone, famosa pelo noticiário do show biz, trouxe uma bombástica entrevista feita pelo ator americano Sean Penn com o mexicano Joaquín Archivaldo Guzmán Loera, conhecido como “El Chapo”, o maior traficante de drogas da Terra. Ele já havia fugido da prisão duas vezes, mas acabou sendo preso um dia antes de a entrevista ser publicada.

A entrevista a Penn, realizada em outubro, foi a primeira concedida por “El Chapo” desde 1993. Foi também a primeira vez que ele admitiu publicamente qual é seu negócio (naquele ano, disse que era apenas um fazendeiro vítima de um mal-entendido). Mas, apesar de ter um inegável interesse jornalístico, a entrevista não chega a trazer grandes novidades sobre aquele que era o bandido mais procurado do mundo. E aí reside o primeiro motivo para o descontentamento dos jornalistas (vale lembrar: eu sou jornalista).

De fato, as perguntas de Penn foram simples, quase simplórias. Nenhuma delas era contundente, desconfortável, capaz de tirar uma grande revelação do líder do Cartel de Sinaloa. Por isso, li e ouvi muitos colegas dizendo que Penn não se preparou para a entrevista, foi conivente e até egocêntrico. Em nenhum momento o entrevistador colocou o entrevistado na parede. Mas falar é fácil: quem espremeria “El Chapo” em seu próprio quartel-general?

Constatei uma inveja velada em muitos dos detratores de Penn. Afinal, ele conseguiu uma entrevista que muita gente gostaria de ter feito, mas que ninguém teve coragem de buscar, em grande parte pela violência que o narcotráfico mexicano dispensa à imprensa local. Cavou os contatos, especialmente a atriz mexicana Kate del Castillo, uma “amiga” do traficante, que intermediou o encontro. E foi para a boca do leão. Que estava manso, é verdade, mas ainda era um leão com todos os dentes.

Daí vem a segunda cisma: acusam o ator de ter feito uma peça de propaganda e chamado de jornalismo. Isso seria reforçado porque a revista submeteu o texto à pré-aprovação do traficante. As críticas foram mordazes, como se Penn tivesse jogado pedra na cruz. Mas ninguém mencionou que essa prática é mais comum que se admite.

Então o que torna o “crime” do ator pior que o dos jornalistas?

 

O que podemos aprender?

Sean Penn não é um jornalista profissional. É um ator.

Mas o que ele fez foi, sim, jornalismo. Poderia ter sido melhor? Talvez. Mas considero as críticas um tanto exageradas.

Primeiramente porque conseguir a entrevista, a despeito das limitações, foi memorável. E isso só foi possível porque o ator combinou sua reputação com trabalho e coragem, mas também bateu de frente com tabus, como o caso de submeter seu texto a pré-aprovação.

Bancando aqui o papel de “advogado do diabo”, “El Chapo” teria concedido a entrevista se essa exigência não fosse atendida? Além disso, a revista afirma que o traficante não pediu qualquer alteração, mas e se tivesse pedido? Seria o caso de jogar tudo fora para não atender a demanda? É uma questão ética delicada, mas está longe de ser rara, como quer fazer parecer a turma que está batendo o bumbo. Passa a ser uma decisão editorial sacrificar uma parte para salvar o resto, que ainda pode ter um enorme interesse jornalístico.

Profissionais de todas as áreas enfrentam dilemas morais várias vezes em sua carreira. E isso acontece porque somos humanos e não controlamos todas as partes envolvidas no processo, que às vezes têm interesses conflitantes metidos no meio de objetivos comuns.

Para casos como esse, regras surgem para criar zonas de conforto, que tiram dos envolvidos o peso da decisão. Isso pode ser muito perigoso, pois também limita a criatividade e a ousadia para feitos grandiosos. Por isso, não podemos nos submeter cegamente a elas. Isso não quer dizer, de forma alguma, romper com a ética, mas sim analisar os fatos sem a influência da uma maioria acomodada.

Outra coisa que podemos aprender é não nos rendermos ao corporativismo. Muitos colegas também encheram a boca para criticar o texto de Sean Penn, que consideraram de baixa qualidade. É um fato que ele não ganhará o Nobel de Literatura por esse trabalho, mas já vi muitos textos de jornalistas profissionais e formados em faculdades de comunicação que são ainda piores. Muito piores.

Se Sean Penn fosse jornalista, a gritaria teria sido menor? Provavelmente sim, e isso é horroroso!

Se a questão anterior era sensível, essa é o fim da picada!

Vivemos em um mundo em que as formas da aprendizagem e de profissionalização estão sendo subvertidas pela tecnologia e por novas gerações que não aceitam rótulos do que são ou do que podem fazer, ditados por alguém que se ache no direito de apontar o dedo, qualquer que seja seu motivo anacrônico.

Por isso, concluo que Sean Penn é um ator que fez uma incrível reportagem, ofuscando um monte de jornalistas. Esses deveriam parar de rogar praga e tentar aprender algo com esse caso. Todos nós podemos aprender! Pelo menos a agir pensando com nossas cabeças e sem nos escudarmos no corporativismo. O mundo ficará melhor quando todos praticarem isso.

 

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O que resta à mídia nesse ano que começa?

Entregador de jornal - autor desconhecido - domínio público

Esse ano promete para o jornalismo brasileiro! O país está em polvorosa e, assim mesmo, será palco de grandes eventos. Mas 2016 também deve ser o ano em que o meio digital assumirá um papel de protagonista no noticiário. E isso acende uma lâmpada vermelha nos chamados “veículos tradicionais”.

Teremos, em agosto, as Olimpíadas no Rio de Janeiro. Dois meses depois, será a vez das eleições municipais. Sem falar na crise econômica e no turbilhão político, que pode contar até com o impeachment da presidente da República. Ou seja, considerando apenas o noticiário nacional, assunto não faltará!

A questão é: quem fará a melhor cobertura? Os eventos acima exigem musculatura, muito dinheiro, grandes equipes. Portanto, os “suspeitos de sempre” –Globo, Folha, Estadão e afins– serão os responsáveis pela cobertura mais extensa. Mas isso não quer dizer que ela será a melhor, pelo menos sob a ótica do público.

O principal problema dos impérios de comunicação brasileiros é uma crise de credibilidade e de representatividade que só cresce. Isso é a morte para um veículo, pois sua existência só se justifica enquanto ele tiver um público que represente e que o busque para se informar. Mas o que temos visto nos últimos anos, cada vez mais, é o público bradar “esse veículo não me representa”. Chegamos ao cúmulo de jornalistas serem agredidos enquanto trabalham (e as vítimas mais comuns disso são os profissionais da Globo).

Esse movimento não é gratuito ou inesperado. Especialmente graças ao surgimento de alternativas jornalísticas no meio digital –e muitas nem podem ser classificadas como “veículos”– fica cada vez mais evidente o comprometimento da mídia tradicional com interesses econômicos e políticos (de oposição ou de situação). Isso ter interferido decisivamente na qualidade e na isenção editorial, ficando claro que o veículo está a serviço dos interesses da empresa e se lixando para a verdade e para o público.

Sem esse mesmo público, as tiragens despencam, os anunciantes fogem e os veículos desaparecem. O exemplo mais dramático é o da Editora Abril, que já repassou 17 revistas para a Editora Caras. Outros tantos títulos importantes foram simplesmente fechados (como a Info) ou perdidos (como a Playboy). Segundo fontes internas, as duas últimas revistas relevantes da casa dos Civita, Veja e Exame, já estão à venda, mas não há compradores interessados. A situação está tão ruim, que, desde o primeiro dia de 2016, a editora não cuida mais da praça Victor Civita, que leva o nome do seu fundador e é uma das mais modernas da cidade. Ela fica ao lado da imponente edifício-sede em Pinheiros, que, cada vez mais vazio, deve ser desocupado ainda neste ano, com os funcionários voltando para o velho prédio da Marginal Tietê, onde fica sua gráfica.

Em menor escala, mas de maneira igualmente preocupante, os outros grandes grupos de comunicação veem suas receitas caindo, junto com o interesse pelos seus produtos.

É o fim?

 

O renascimento no digital

De forma alguma! Apesar de magnatas da comunicação estarem sofrendo, o jornalismo vive um período emocionante de transformação. E o resultado disso são produtos jornalísticos mais modernos em sua forma e modelos de negócios, resgatando o fundamental vínculo com o público.

Naturalmente o digital está envolvido até o último bit nesse processo. O primeiro motivo é a própria mídia: é muito raro encontrar alguém com menos de 30 anos lendo uma revista ou um jornal impresso. Mais precisamente, a maior parte de seus públicos já tem mais de 50. E isso explica por que, há alguns anos, ouvi do gerente de assinaturas de um grande jornal paulista que ele acabara de criar uma nova linha na planilha de motivos para o cancelamento da assinatura: morte! Sim, a assinatura havia sido cancelada porque o assinante tinha morrido. O mesmo fim de qualquer produto que não consegue renovar seus clientes.

Nesse cenário, os gigantes digitais já perceberam que estão com a faca e o queijo nas mãos. Estudo publicado pelo prestigiado Pew Research Center demonstrou que o Facebook e o Twitter já podem ser considerados como fonte de noticiário: 63% dos americanos usam pelo menos uma das plataformas para se informar. Não é de se estranhar, portanto, que ambos, além de Apple e Google, tenham criado produtos que facilitam o consumo do noticiário neles mesmos. Lançado primeiro, os “artigos instantâneos” do Facebook já tiveram adesão de grandes veículos, inclusive brasileiros. Ótimo para essas plataformas; nem tanto para os veículos, que podem ser reduzidos a meros produtores de conteúdo.

Mas a grande mudança está acontecendo nas novas publicações, que já nasceram digitais. Não ficam, portanto, se martirizando para tentar migrar modelos de produção, distribuição e negócios moribundos para uma nova plataforma. Mesmo os que foram criados por egressos dos veículos “tradicionais” têm as equipes editoriais e de negócios cheias de “millennials”, cujos comportamentos, gostos e percepções são determinantes para o futuro dessas empresas. Procuram estar em todas as plataformas disponíveis, e criam produtos específicos para cada uma: afinal, os objetivos e a linguagem usados no Facebook não são as mesmas do YouTube, que também diferem, por exemplo, de um aplicativo ou do site do próprio veículo.

Por fim, há outra característica muito interessante nesse novo jornalismo: os veículos não criam enormes estruturas para cobrir todo tipo de assunto. Normalmente são focados em um tema específico, mas fazem aquilo muito bem. E isso faz todo sentido! Afinal, por que comprar um jornal ou uma revista que podem ser muito bons em política, mas péssimos em esportes? Muito melhor é consumir cada conteúdo de um especialista no assunto. E a “integração” da experiência informativa é feita pelo smartphone ou pela plataforma digital de preferência do usuário.

Então 2016 será o ano em que a mídia impressa vai morrer? Claro que não! Mesmo que continuem fazendo tudo errado, os impressos ainda têm muitos anos de sobrevida. Cada vez mais restritos, é verdade, mas ainda têm seu espaço garantido, pois, apesar de tudo, têm o seu público.

E há o ótimo exemplo que vem sendo dado por Jeff Bezos, dono da Amazon, que comprou The Washington Post em 2013 e está promovendo um verdadeiro renascimento do jornalão de 138 anos, colhendo resultados muito expressivos. O segredo? “Digitalizou” os modelos de negócios e de produção e manteve a excelência editorial do impresso.

Portanto, 2016 será um ano de grandes oportunidades para o jornalismo! Mas será melhor ainda para quem souber –e quiser– fazer a coisa certa.

 

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Por que os jornais não aprendem logo com Star Wars?

Foto: reprodução

Amanhã estreia no Brasil “O Despertar da Força”, o filme mais aguardado do ano. O sétimo episódio de Star Wars deve movimentar multidões que lotarão as salas de cinema por semanas! Enquanto isso, a mídia impressa continua minguando, abraçada ao argumento de que as pessoas não mais pagam por conteúdo. Nada mais falso e descolado da realidade!

Qual é a diferença essencial entre a saga dos Skywalker e a mídia tradicional, do ponto de vista de negócios? A resposta é simples: a última esqueceu como produzir um produto pelo qual as pessoas estejam dispostas a pagar. Já a história criada por George Lucas continua encantando o mundo.

Não passa de chororô de mau perdedor, então, essa desculpa de que os jornais e as revistas estão morrendo, um após o outro, porque os leitores não querem mais pagar por um conteúdo “de alto valor agregado”. É exatamente o contrário disso! Nunca se pagou tanto por conteúdo! Só para ficar no exemplo do cinema, basta ir às salas IMAX, que estão entre as mais caras da cidade, e comprovar que suas sessões estão sempre cheias. E, pelo que sei, aquelas pessoas não entraram ali de graça.

O problema da mídia tradicional é que as pessoas não querem pagar pelo SEU conteúdo. E isso acontece porque, de alto valor agregado, ele tem muito pouco ou nada! Essa fantasia só existe na mente dos seus publishers.

É só comparar as primeiras páginas dos principais jornais: muito provavelmente elas terão as mesmas manchetes. Há grande chance de as demais chamadas serem também iguais, assim como as fotos. Pior que isso: quase todo o conteúdo provavelmente terá origem em denuncismo ou jornalismo palaciano. Furos e grandes reportagens tornaram-se raridades há anos.

Se analisarmos as revistas semanais, quaisquer que sejam os seus alinhamentos políticos, a situação é ainda pior: vivem um vale-tudo editorial para impor os seus pontos de vista. Claro que isso agrada àqueles que pensam na mesma linha, mas (felizmente) esse tipo de leitor, que não gosta muito de usar o cérebro, vem diminuindo. Aos trancos e barrancos, de uma maneira tortuosa, estamos vendo o surgimento de cidadãos e consumidores mais críticos.

Esse pessoal adora Star Wars. Mas não assina jornais.

 

Novos modelos

O fato é que as pessoas só gastam seu rico dinheirinho com algo em que vejam valor, produtos, serviços e até filantropia que faça sentido para elas. Essa é a razão de os cinemas continuarem cheios e os jornais ficarem cada vez mais finos.

É curioso que é muito fácil conseguir assistir a um filme hoje pagando muito pouco ou nada: discos piratas e torrents estão aí para quem quiser. Entretanto, ir ao cinema é mais que ver um filme, que passa a ser apenas mais um elemento de uma experiência que, como disse antes, o público vê sentido em pagar.

Isso não vem de hoje: a primeira grande vítima dessa mudança de comportamento do consumidor foi a indústria fonográfica, cujo principal negócio, a venda de discos, foi pulverizado. Começou com a troca de arquivos MP3, e se cristalizou com o iTunes, que -veja só- é pago e transformou a Apple de um fabricante de computadores em uma gigantesca empresa de mídia! É interessante observar que esse modelo também já está sendo substituído pelo streaming do Spotify. E a Apple, ao invés de ficar em um mimimi, criou o seu próprio serviço de música por streaming, o Apple Music.

Muitos podem argumentar que nada disso é jornalismo, que as pessoas não querem mais pagar pelo conteúdo de alto valor agregado, que custa caro para se produzir, e blá-blá-blá… Que preguiça desse pessoal!

Existem vários novos veículos jornalísticos surgindo e produzindo conteúdo de altíssima qualidade. No Brasil, sem pensar, eu citaria o Vice Brasil, o Catraca Livre, o Omelete, o Judão. E há ainda grandes veículos supertradicionais, que estão se reinventando e colhendo bons frutos, como The Washington Post, esse aliás impulsionado por Jeff Bezos, criador e dono da Amazon, que comprou o jornalão há dois anos e vem promovendo mudanças incríveis nos modelos de negócios e de produção.

No fim das contas, nenhum deles depende apenas da velha dobradinha publicidade-assinatura. Cada um deles encontrou várias fontes de receita que viabilizam seus negócios. Assim como não dá mais para ganhar dinheiro com música só vendendo discos.

A mídia tradicional deveria olhar com mais atenção para Star Wars.

Que a Força esteja com os publishers do futuro!

 

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A liberdade não pode ser vítima da guerra ao terror

"A Liberdade Guiando o Povo", de Eugène Delacroix - Imagem: reprodução

“A Liberdade Guiando o Povo”, de Eugène Delacroix

O jornal Le Figaro divulgou ontem uma pesquisa que indica que 84% dos franceses estariam dispostos a aceitar restrições a sua liberdade para se sentirem mais seguros. Claramente impulsionados pelo medo causado pelos atentados terroristas de sexta passada, esses números escondem o enorme risco de uma população abrir mão de seus direitos em um momento de crise e isso se perpetuar depois.

A França é tradicionalmente um dos países que mais defendem as liberdades e a privacidade do indivíduo. Mas agora está ferida por um inimigo que ninguém sabe quando, onde ou como atacará de novo. Essa sensação de impotência é terreno fértil para o crescimento de abusos de toda natureza. Na mesma pesquisa, 74% se disseram favoráveis à prisão de suspeitos de terrorismo, enquanto a retirada da nacionalidade francesa desse grupo é aceita por 53% de integrantes da esquerda e por assustadores 94% da direita radical. Vale ressaltar que se tratam de suspeitos, não de casos confirmados. Por fim, 62% dos franceses se dizem contrários à entrada de imigrantes no país (eram 47% há um mês).

Naturalmente a tentativa de controle de tudo que trafega na Internet também está na pauta do dia. Afinal, os terroristas usam os meios digitais para se comunicar, de maneiras bastante criativas (cheguei a ouvir –não-confirmado– que estariam até mesmo usando o inocente game Super Mario Maker para distribuir coordenadas de ataques).

Esse controle é um desejo antigo de políticos, principalmente dos mais sujos e medíocres, que não vira lei em países que prezam o indivíduo justamente pela enorme rejeição da sociedade. Mas o que impedirá isso na França em um momento como esse?

A Internet finalmente será controlada?

 

Não devemos deixar a coisa ainda pior

Não seria a primeira vez que o medo do terror patrocinaria a tentativa de se controlar as vidas digitais dos cidadãos. Principalmente depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, o governo americano tentou emplacar várias leis que legitimariam a espionagem online do governo (e conseguiu algumas), como o PATRIOT Act.

Claro que o governo americano usou largamente a Internet para se intrometer nos negócios de pessoas, empresas e governos do mundo todo. As revelações de Julian Assange e de Edward Snowden estão aí para documentar isso largamente. Mas o fato de isso permanecer no campo da ilegalidade pelo menos dificulta que a prática se dissemine para qualquer nível de poder, até os mais medíocres.

Já usei este espaço para discutir anteriormente os riscos de governos controlarem a Internet. Mencionei, inclusive, projetos de lei que tramitavam no Congresso Nacional e que permitiriam a qualquer “autoridade competente” arbitrariamente censurar publicações que lhe desagradassem e punir seus desafetos.

Hoje mesmo uma aluna me questionou como fica a liberdade de expressão em um momento como esse. Mais que isso, terroristas poderiam usar, por exemplo, o YouTube para fazer a sua odiosa propaganda? Respondi que a liberdade de expressão é um direito inalienável do ser humano, mas que, na prática, isso é algo bem difícil de se manter e de se exercitar. Defendo-a por princípio e tenho certeza que ela nos traz muito mais benefícios que perdas, por mais que, em muitas ocasiões, seja usada para propagar ideias das quais discordemos ou até mesmo abominemos. Mas essa é a regra do jogo.

Nesse exemplo, o próprio YouTube deve remover o vídeo, pois ele viola os seus termos de uso. Mas e no caso de o vídeo estar hospedado em um servidor dos próprios jihadistas? Além disso, como a imprensa deve tratar esse material? Ele é notícia? Deve ser usado em uma reportagem? Mais ainda: a imprensa tem o direito de querer publicar isso?

Isso nos leva a outro ponto: o exercício de liberdades, inclusive de expressão, está sujeito a critérios morais de cada um. Portanto, do meu ponto de vista, sim, a imprensa tem o direito de reportar as barbaridades, assim como tem o direito de editar o conteúdo para preservar o seu público dos momentos mais crus da exibição (que, diga-se de passagem, seriam desnecessários para as pessoas compreenderem o que estava acontecendo). Da mesma forma, as pessoas têm o direito de serem informadas, mesmo de coisas horrendas.

É uma situação muito delicada, sem dúvida. “Na guerra, a verdade é primeira vítima.” A frase, atribuída ao dramaturgo grego Ésquilo, poderia ser complementada perfeitamente por “seguida pela liberdade”. Os terroristas têm, pela natureza de sua ação furtiva, uma vantagem sobre os Estados que combatem. A esses últimos, cabe o dever de enfrentar o agressor da melhor maneira possível, a despeito de tal vantagem. Mas não podemos permitir que, em nome desse combate, os governos firam seus próprios cidadãos ainda mais, tirando-lhes a liberdade e a privacidade.

O absurdo de se usar o terror para comprovar um ponto de vista

Foto: Giselle Garcia/Agência Brasil

Já nos bastasse o choque com os acontecimentos em Paris, fiquei muito triste ao ver que, mesmo diante dessa barbárie que comoveu o mundo, pessoas e instituições ainda encontraram lugar para usar a tragédia para fazer propaganda de seus ideais. E não me refiro a organizações terroristas, mas a jornalistas e veículos de comunicação se manifestando em redes sociais.

Há pouco mais de duas semanas, usei este espaço para fomentar o debate sobre como estar online afrouxa os limites morais de algumas pessoas. Naquela ocasião, eu me referia aos casos de assédio online contra uma participante do programa MasterChef Junior e a comentários infames postados contra o tema da redação do ENEM deste ano.

Desta vez, tive que ler coisas como “Entregue o destino das nações aos mercados; permita que instalem o caos e a incerteza; fomente o ódio; então se surpreenda: isso sangra e mata”, tuitado pela Carta Maior. Não foi a única (antes fosse), mas foi a que mais me chamou a atenção.

Sempre defendo em artigos, aulas e palestras que veículos de comunicação não apenas têm o direito de defender uma posição, como devem deixá-la clara para que o público consiga contextualizar adequadamente o que publicam. A Carta Maior faz isso muito bem.

Porém, da mesma forma, os mesmos veículos devem dar voz a posições contrárias, pois, por mais que defendam um lado do debate, devem fornecer elementos para que o público tenha uma visão mais ampla dos fatos (que sempre têm vários lados) e possam construir o seu próprio entendimento. Muitos poderiam argumentar que, em tempos de experiência informativa totalmente pulverizada pela abundância de oferta e distribuição pelas redes sociais, isso não seria mais necessário. Não concordo com isso: ter a grandeza de publicar posições contrárias só aumenta a credibilidade do veículo.

Agora definitivamente não é aceitável valer-se de uma tragédia para propagar sua ideologia.

 

A insensibilidade de um robô

Diante de um noticiário cada vez mais violento, tem-se a sensação de que todos estão anestesiados com o drama do outro. O sofrimento alheio no noticiário funciona quase como se aquilo reforçasse a “sorte” de não se partilhar daquela dor.

Nós, jornalistas, como agentes desse noticiário, corremos ainda mais o risco de passar por esse processo. Afinal, qual o peso de se noticiar mais um roubo, uma chacina, um desabamento, um acidente ecológico, um atentado terrorista? Em mentes viciadas em produzir reportagens, levanta-se os fatos, agrega-se números, escolhe-se uma imagem e o texto é parido. De cócoras!

A frieza, o distanciamento, a insensibilidade fazem com que o jornalista pareça um robô. Não é de se estanhar, portanto, que tantos textos jornalísticos sejam hoje produzidos autônoma e automaticamente por software. E muitas vezes, dentro do que se propõem, ficam melhores que os equivalentes produzidos por humanos.

A miopia jornalística e a insensibilidade capazes de gerar um tuíte como aquele são as mesmas que fazem colegas classificar a descomunal tragédia humana e ambiental de Mariana como “acidente”. Pelo que entendi, os supostos tremores de terra jamais poderiam ter causado o rompimento da barragem. Tampouco ela foi atingida por um meteoro ou por algum monstro japonês. Portanto, paremos com a cobertura chapa-branca, que poupa as empresas e o governo.

As boas escolas de jornalismo ensinam que a mídia tem duas funções principais: a de informar e a de formar o cidadão. Ela é o farol da sociedade, que ilumina as mentes e abre os olhos para um mundo que as pessoas muitas vezes não conseguem ver sozinhas. É por isso que, em países com uma mídia fragilizada, a sociedade sofre todo tipo de abuso político e econômico. É por isso que ditaduras sempre têm na imprensa livre um de seus primeiros e principais alvos.

Desgraçadamente nossa imprensa vem falhando nas duas funções. Os colegas precisam urgentemente parar de se guiar pela busca pela audiência, de se debater para agradar anunciantes, de tentar bajular seu público já embrutecido pela desinformação. E, com a mesma urgência, precisam reaprende a ter suas ações como jornalistas comandadas pelo seu cérebro e pelo seu coração.

Se não for assim, é melhor passar o bastão para os robôs de texto.

Globo Play não deve salvar a emissora nas novas gerações hiperconectadas

Foto: Robert de Bock / domínio público

Nesta terça (3), a Globo lançou seu aplicativo Globo Play, um serviço de vídeo sob demanda que, a princípio, lembra produtos como Netflix: o usuário paga R$ 12,90 por mês e tem acesso a todo o seu acervo. Mas a novidade talvez tenha chegado tarde demais para salvar a emissora.

Muita gente pode achar um exagero o termo “salvar” para uma empresa que faturou R$ 12,4 bilhões em 2014. Isso representa cerca de metade da publicidade da TV aberta, segmento cujo market share supera, por sua vez, 50% de tudo que se anuncia no país.

Porém, no dia seguinte ao lançamento, a comScore e a IMS divulgaram os resultados de uma pesquisa com latino-americanos que assistiram a algum vídeo online nos últimos três meses. E, pelo menos para essas pessoas, o vídeo sob demanda já é mais importante que a TV.

O vídeo pela Internet faz parte do cotidiano de 81% do público pesquisado, contra apenas 70% da TV aberta. No Brasil, os números são ainda maiores: 82% dos entrevistados veem vídeo sob demanda regularmente, contra 73% da TV aberta. Em média, os entrevistados assistem a 13,2 horas semanais de vídeos digitais, 7,8 horas a mais que os das emissoras tradicionais. O dispositivo preferido para vídeos é o smartphone, usado em 80% dos casos. E o tempo gasto nessas telinhas, 5,2 horas semanais, é praticamente o mesmo dos dedicados à TV aberta e à TV fechada, que somam 5,4 horas semanais.

Outro dado emblemático revelado pela pesquisa é a idade dos consumidores de vídeo online. O maior grupo, de 15 a 24 anos, representa 30% do total, seguido pelo de 25 a 34 anos (26%) e o de 35 a 44 anos (22%). Ou seja, 56% dessas pessoas estão na faixa etária que liderará a vida econômica de seus países nas próximas décadas, começando agora.

E é aí que a situação da Globo e das outras emissoras se complica.

 

Modelo caduco

Então por que o Globo Play não seria suficiente para recolocar a Globo no caminho desse grupo de telespectadores? Porque, apesar de ter um modelo de cobrança e uma tecnologia semelhantes aos da Netflix, ele insiste em um estilo que as pessoas não aceitam mais.

Uma diferença fundamental entre os dois serviços é que, quando a Netflix lança uma nova série, ela publica todos os episódios de uma só vez. Já o Globo Play não coloca na Internet nada que não tenha passado antes na telona. Nada de ver, portanto, todos os capítulos da série de uma só vez, como clientes do Netflix estão acostumados a fazer.

Ou seja, o usuário da Vênus Platinada continua preso à grade da programação, um modelo que caducou na cabeça das novas gerações. Cada vez menos, essas pessoas podem ser chamadas de espectadores, pois querem assumir o controle de sua experiência: o horário nobre é aquele que elas definirem, e o que passa nele é o usuário que escolhe.

Sempre gosto de observar crianças e adolescentes: eles são ótimos gurus de como será o comportamento da sociedade nos próximos anos. E algo que tenho constatado cada vez mais é que essa turma simplesmente não assiste a nada na TV aberta. A telona serve para ver alguma coisa na TV por assinatura ou se conectar a serviços de vídeo sob demanda, o que realmente lhes interessa mais, de Netflix a ídolos teen no YouTube, conteúdos que consomem vorazmente. E o relatório da comScore corrobora minha observação, ao indicar que, entre o grupo pesquisado, a TV por assinatura já tem mais público que a TV aberta, indicando uma preferência por segmentação de programação.

O último movimento da Globo é interessante, sem dúvida, mas não o vejo como suficiente para convencer as gerações já acostumadas a ter o total controle do seu consumo de conteúdo a pagar por ele. No final das contas, continua sendo a velha TV, apenas com um novo formato tecnológico. O que o público quer, entretanto, é uma verdadeira ruptura de modelo.

E nem entrei no mérito da qualidade da programação da TV aberta…

Depois de mudar o jeito de ver TV, Netflix agora mira o cinema e até o jornalismo

Cena de "Beasts of No Nation", primeiro filme da Netflix para o cinema - Foto: divulgação

Cena de “Beasts of No Nation”, primeiro filme da Netflix para o cinema

Na última sexta, a Netflix estreou “Beasts of No Nation”, seu primeiro longa-metragem para cinema. Dois dias antes, seu CEO, Reed Hastings, e seu diretor de conteúdo, Ted Sarandos, anunciaram a intenção de investir em jornalismo nos próximos anos. Se fosse outra empresa, essas poderiam ser apenas duas decisões isoladas, mas, nesse caso, elas podem representar o início de mudanças maiúsculas no mundo cinematográfico e do noticiário.

O Netflix é uma das empresas mais inovadoras do momento, não apenas pela sua eficiência e pela simplicidade de seu produto, mas porque, graças a elas, conseguiu modificar a maneira como as pessoas veem televisão. Ela não inventou o conceito de vídeo sob demanda, mas o popularizou em uma interface simples e presente em todo tipo de plataforma tecnológica, a um preço justo.

Porém a verdadeira mudança deriva disso tudo: dar ao consumidor a capacidade de escolher o que assistir, na hora que quiser e com o dispositivo que preferir. E esse poder fica ainda mais evidente nas séries, cujos capítulos de uma temporada são oferecidos todos de uma só vez, e não mais um por semana. Dessa forma, se o consumidor quiser, pode assistir a todos na sequência. Pode parecer uma bobagem, mas essa possibilidade coloca em xeque o conceito de grade de programação, algo sobre o qual se monta os modelos de negócios das emissoras de TV abertas e por assinatura

Beasts of No Nation” (sem título em português) estreou em apenas 31 salas independentes nos EUA (nenhuma no Brasil). Isso é insignificante em um país com cerca de 40 mil salas de cinema. Não se trata de um filme ruim: pelo contrário, “Beasts” traz um retrato cru e contundente do flagelo das crianças-soldado na África, elaborado meticulosamente para tentar abocanhar prêmios importantes, inclusive algum Oscar.

Mas então por que tão poucos endereços estão exibindo a produção original da Netflix?

 

Boicote contra a inovação

Acontece que a empresa decidiu lançar o filme em sua plataforma no mesmo dia em que saía no cinema. Normalmente são exigidos pelo menos 90 dias de embargo após a estreia nas salas para que um filme chegue a qualquer outra plataforma ou mídia, temendo a canibalização das bilheterias. A Netflix acha que isso pode ser mudado. Os grandes conglomerados de exibição, como Cinemark e UCI, acham que não. Por isso, boicotaram “Beasts” em massa.

A inovação nem sempre é compreendida. Mas a indústria do cinema deveria, pois já foi ameaçada por inovações antes. A turma na faixa dos 40 anos deve se lembrar do frenesi causado pelo lançamento do VHS. Na época, dizia-se que as fitas acabariam com as salas de cinema. Em um primeiro momento, isso parecia ser verdade, pois muita gente começou a deixar de ir ao cinema para alugar filmes. Mas a culpa não era do VHS, que oferecia uma imagem ruim, exibida em uma TV de tubo pequena em nossas casas. A culpa era do próprio cinema: as salas eram quase sempre reduzidas, abafadas, cheirando a mofo, com projeção e som ruins, poltronas desconfortáveis e uma pipoca horrorosa. Diante dessa oferta, migrar para o VHS parecia uma alternativa vantajosa.

Foi quando as exibidoras deixaram o chororô de lado e investiram na criação de salas incríveis, que proporcionassem uma experiência realmente marcante. Algo que o VHS e seus sucessores DVD e blu-ray jamais poderiam imitar. Assim, cada um encontrou o seu lugar no mercado, e as salas de exibição estão cheias como nunca.

Mas agora podem argumentar que a Netflix está querendo acabar com o embargo, que sempre existiu. Isso é uma visão míope e protecionista, de alguém que quer matar no peito um tsunami que se aproxima.

Sempre se deve dar ao consumidor a escolha. E isso significa, nesse caso, a Netflix oferecer logo os filmes e as salas de cinema continuarem a oferecer uma experiência diferenciada. Uso pesadamente o serviço online, mas também estou sempre no cinema, que adoro. Aliás, adoraria ver “Beasts” na telona, se possível em uma sala IMAX.

Mas quero ter a opção em minhas mãos.

 

Um novo jornalismo

Agora a empresa vem com essa história de produzir conteúdo jornalístico próprio. Quem vai gritar contra?

Ao contrário do cinema, as grandes empresas de jornalismo estão quase todas moribundas. Chegaram a essa situação por culpa exclusiva delas mesmas, que resistiram (e ainda resistem) a mudar seu produto, seu modelo de negócios e o relacionamento com seu público, mesmo com as pessoas migrando para alternativas mais modernas e vantajosas.

Nesse caso, não vejo o Netflix enfrentando resistência, pois os veículos tradicionais não têm fôlego para isso. Contemplarão mais uma nova empresa fazendo bem a função em que antes eram mestres, pelo simples fato de realizar um trabalho sério e adequado a realidade vigente. E, novamente, dando ao consumidor o poder da escolha.

Jeff Bezos, criador e dono da Amazon, comprou The Washington Post há dois anos, e está salvando o jornalão com sua visão pragmática de negócios e com amplos investimentos em tecnologia e jornalismo. O futuro da notícia parece cada vez mais vinculado aos gigantes da tecnologia digital.

Se a Netflix ganhará o Oscar, só o tempo dirá. A premiação nunca foi exclusivamente por critérios artísticos, e os interesses dos exibidores certamente pesam entre os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. A empresa precisará convencer os decanos de Hollywood que não está destruindo o cinema. Ou então trilhar o caminho contrário: cativar irremediavelmente o público com sua nova proposta e esperar que a pressão popular faça o resto.

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