Treine um dragão e salve seu jornal

Nos últimos dias, participei de conversas com vários grupos sobre o assunto mais odiosamente preferido dos executivos de mídia: como salvar o nosso negócio. E me deparei com as mesmas teses de sempre: conteúdo aberto versus conteúdo fechado, paywalls, assinatura ou compras avulsas, veículos organizados em edições ou continuamente atualizados, entre outros. E as conclusões, da mesma forma, acabavam sendo as velhas conhecidas, que, na prática, tentam perpetuar o modelo de negócio de jornais, que se forjou no século 19, se refinou no 20 e não encontra mais espaço no 21.

O que não entendo é: por que ninguém pensa em treinar um dragão para salvar o seu jornal? Claro, treinar um bicho desses não é fácil, mas a animação “Como Treinar Seu Dragão”, do trailer acima (não viu ainda? veja!), mostra que, muito mais difícil que encontrar ou treinar uma enorme besta voadora e cuspidora de fogo é acreditar que isso é possível. Mais difícil ainda é querer fazer isso quando se vive em uma aldeia viking cujo propósito maior é matar dragões.

O fato é que a mídia impressa só pensa em matar os dragões que roubam as suas ovelhas cada vez mais. Existem várias espécies deles, como a publicidade insuficientemente barata, o “jornalismo-cidadão” e a blogosfera, os internautas que se recusam a pagar pelo conteúdo, o Google News e, mais recentemente, os agregadores.

Mas e se tudo que soubermos sobre esses dragões estiver errado? Com essa conclusão, um protótipo de viking salvou a sua aldeia. Mas, para isso, arriscou tudo. Sorte da aldeia, pois, se ninguém pensasse diferente, nunca venceria as feras.

Como é de amplo conhecimento público, o principal dilema da mídia, especialmente a impressa, é que a receita que eles conseguem angariar com a Internet nem de longe compensa as perdas que a mesma lhe provoca. E produzir bom jornalismo custa dinheiro, isso é um fato! E as pessoas devem pagar por isso! Bem… pode ser… mas certamente não da maneira como se quer lhes impor.

Já que estamos fazendo citações cinematográficas, selecionei a cena abaixo, que muitos fãs de Star Wars devem conhecer as falas de cor:

Uma sequência de Yoda vale ser retirada dessa cena: “So certain are you. Always with you it cannot be done (…) You must unlearn what you have learned.”

Claro! Estarmos muito certos de algo é uma das piores coisas que pode nos acontecer. Na incerteza, experimentamos as alternativas e tateamos os nossos limites, nos permitindo ser melhores. Já na certeza, nos acomodamos em nossas crenças e tentamos impor aos outros o nosso modelo de mundo “certo”. Se o mundo discorda de nós, desqualificamos os seus argumentos; se se recusa a nos aceitar, tratamos de eliminá-lo. E aí continuamos achando que dragões são malévolos e naves são muito grandes para se levitar.

Enquanto isso, fedelhos nórdicos cavalgam dragões e criaturinhas verdes e enrugadas tiram naves de pântanos. O mundo se move rápido, vivemos em tempos exponenciais, como disse no último post. Quaisquer que sejam as soluções adotadas pela mídia para sair do lamaçal em que se encontra, elas começarão ao aceitar que deve conduzir seu negócio de maneira drasticamente diferente.

Acha tudo isso uma bobagem? Não acredita que possa ser feito? “That’s why you fail!”

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