Notebook versus lápis

Tendência aponta que estudantes preferem escrever em notebooks a usar o lápis

Tendência aponta que estudantes preferem escrever em notebooks a usar o lápis

A Folha publicou nesta segunda uma reportagem sobre como escolas já permitem que alunos levem notebooks pessoais para a sala de aula, como parte de seu material escolar. A reportagem me chamou a atenção em dois pontos: primeiramente porque foi a primeira vez que vi isso fora do ensino superior; em segundo lugar, e mais inusitado, porque os alunos começam a questionar o porquê de se escrever à mão.

Esse questionamento pode parecer absurdo -e é, pelo menos enquanto não dispusermos de infra-estrutura tecnológica que nos permita dispensar de vez papel e lápis-, mas é perfeitamente compreensível para alguém que manipula um PC com a mesma naturalidade que a TV. Esses membros da “Geração Z” realizam os seus trabalhos escolares -mesmo os mais prosaicos- em PowerPoint ou em sequências em Flash.

Além disso, a moderna pedagogia prega que as crianças hoje aprendam primeiro a letra bastão (ou, com se costumava dizer, “de forma”) em maiúsculas, passando depois para as minúsculas e apenas então passam à escrita cursiva (as “letras de mão”). Isso parece estar alinhado com o fato de que o mundo não é mais cursivo. Qualquer PC vagabundo com Windows oferece ao usuário dezenas de famílias de fontes para que experimente em seus escritos, e as crianças estão expostas a essa realidade. Dentro desse novo mundo, as pessoas, de todas as faixas etárias, escrevem e lêem mais que nunca. A questão deixa de ser se se deve escrever “à mão ou com letra de forma” e passa a ser se se deve escolher Arial ou Times New Roman para compor o texto.

Não estou advogando pelo fim da escrita à mão: muito pelo contrário. Mas os fatos estão postos. A questão é saber como pais, escolas e editoras lidarão com isso. Todos estão preparados para isso, pedagógica e até psicologicamente? Pais, professores e demais profissionais de educação conseguirão lidar com essa onda inovadora que ganha volume a cada dia, podendo chegar logo à escala de tsunami?

Não estão. Mas essa onda pega!

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6 Respostas

  1. Então as crianças agora vão aprender a digitar seus nomes, não mais escrevê-los? Nossa, isso é que é evolução!

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    • Desse jeito, as pontas dos dedos se tornarão retas, para facilitar o teclar 😀
      A gente brinca, mas a coisa caminha para isso. Bom, pelo menos no futuro vamos entender o que estará escrito em todas as receitas médicas.

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  2. O tema tem q estar alinhado com a questão de saúde dessas crianças, a exposição à tela do computador o dia todo, não é à toa a caneta vermelho não é permitida além de marca texto e correção. Além disso, os problemas motores que podem advir do uso do teclado, antecipam consequencias de fadiga laboral… As escolas vão disponibilizar profissionais de saúde para minimizar esses danos? Substituir educação física por ginástica laboral?

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    • Excelentes pontos, Guilhermé. Como disse ao Leonardo, IMHO “tudo pode”, desde que usado adequadamente e com responsabilidade. O computador sozinho não faz milagres: a criança (e o adulto) precisa saber extrair a informação dali de uma maneira adequada. A máquina é só uma ferramenta, assim como o lápis e o caderno, que precisamos dominar (e não ser dominados por ele). Isso inclui um uso responsavelmente limitado, ou em breve teremos uma legião-mirim com tendinite. Claro: se eles usam o computador assim na escola, que dizer do tempo em casa?
      Em tempo, side history: no colégio, tinha um professor de Filosofia que não permitia aos alunos o uso de canetas vermelhas, pois, segundo ele, era como se nós o estivéssemos “mandando tomar naquele lugar”. Tanto que corrigia provas com caneta preta. Mas ele era maluco mesmo!

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  3. Andar com um monte de papel é complicado. É mais fácil fazer as anotações no computador e depois procurar a informação com um mecanismo de busca.
    O meu bloquinho de papel ainda não foi aposentado, mas vamos ver até quando! xD

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    • As ferramentas de busca realmente “grudaram” na nossa vida! Se ler dois posts abaixo, que trata de estudantes de jornalismo que não leem jornais, verá que uma de suas justificativas para isso é que o papel não tem ferramenta de busca.
      Sou um sujeito pró-tecnologia, mas defendo sua adoção com responsabilidade. Para mim, a criançada pode levar notebook, celular, iPod e afins para a aula sem problemas, desde que a escola e os pais saibam como garantir que não deixem de desenvolver todas as competências devidas (inclusive a hora certa e o jeito correto para usar cada coisa). Caso contrário, não saberão usar os campos de busca de uma maneira inteligente 😉

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